Contaminação de alimentos por látex

O látex, a borracha natural, é extraído da seiva de diversas árvores, mas mais comumente da seringueira, e é composto de 14 proteínas.

Algumas pessoas desenvolvem alergias a estas proteínas, alguns a todas, outros somente à algumas delas, e a partir daí o organismo passa a entender toda proteína semelhante como agressor e reagir cada vez mais, sendo necessário o uso de medicamentos para controle dos sintomas e levando à exclusão de tudo que contenha estas proteínas para se obter qualidade de vida.

Esta alergia adquirida, chamada Síndrome Látex Alimentos – SLA, pode ocorrer com qualquer pessoa, em qualquer idade, sendo que o excesso de exposição ao látex é o fator mais decisivo. Diante disso, muitas pessoas pensam estarem a salvos pois não imaginam que em sua rotina possam estar tendo contatos diários e excessivos com látex.

Em texto anterior, citei ligeiramente locais onde encontramos o látex, mas o contato mais agressivo ao nosso organismo merece uma atenção especial.

As duas piores formas para o contato são pela inalação, o que só conseguiremos resolver proibindo o uso de balões festivos (bexigas) em locais públicos – pois eles contaminam cerca de 500m² em sua volta, com essas proteínas suspensas sendo inaladas – e também excluindo o uso de luvas de látex nos hospitais, em odontologia e nas indústrias com manuseio de alimentos, onde está também a segunda forma mais agressiva de contato, a ingestão das proteínas do látex associadas aos alimentos.

Foto tirada de baixo para cima, de inúmeros balões coloridos voando em direção ao céu.
Foto tirada de baixo para cima, de inúmeros balões coloridos voando em direção ao céu.

Talvez você nunca tenha se dado conta, mas em diversas fábricas, restaurantes, lancherias, cafés, no supermercado, na peixaria… olhe em volta, pesquise. Muitos estão contaminando sua comida com látex, o que faz de todos nós potenciais pacientes da SLA e, aos pacientes já sensibilizados, oferece risco de reações graves que podem ser fatais.

Em 2006, testes financiados pela britânica Food Standards Agency (FSA) em 21 tipos de embalagens mostraram que um terço dos alimentos destas embalagens estavam contaminados por látex. Estas descobertas levaram a novas regras de rotulagem para garantir que os consumidores estejam conscientes do uso de látex nas embalagens em toda a Europa. Nesta pesquisa, os cientistas encontraram em um biscoito de chocolate a quantidade de látex quase 20 vezes maior que o nível que poderia levar um paciente sensibilizado a anafilaxia com risco de óbito. Atualmente, diversos países da Europa excluíram o látex.

Foto em que aparecem mãos vestidas com luvas de látex preparando um sanduíche, com fatias de tomate e presunto cortadas sobre uma tábua de plástico.
Foto em que aparecem mãos vestidas com luvas de látex preparando um sanduíche, com fatias de tomate e presunto cortadas sobre uma tábua de plástico.

Nos Estados Unidos, onde os dados revelam cerca de 3 milhões de pessoas com alergia ao látex, em 2015 diversos estados proibiram o uso das luvas de látex em hospitais, odontologia e indústrias de manuseio de alimentos, a exemplo do Hawaii.

No Brasil, a partir de junho será obrigatório rotular a presença de látex em qualquer quantidade de contaminação nos alimentos. Em medicamentos e em materiais hospitalares a obrigatoriedade começa a partir de agosto. Mas apenas seremos avisados que ele está lá, e muito temos a lutar ainda pela conscientização de que somente banindo o uso de luvas e balões festivos estaremos mais seguros quanto a SLA, que até o momento não apresenta nenhum caso de cura no mundo todo.

 

Referências:

Beezhold DH, Kostyal DA, Wiseman JS. A transferência de proteína alérgenos de luvas de látex. Um estudo de fatores que influenciam. AORN 59: 605-614, 1994
Beezhold D, Reschke J, Allen J, Kostyal D, proteína G. Latex Sussman: Um alérgeno alimentar escondido? Allergy Asthma Proceedings 21: 301-306, 2000.
Bernardini R, Novembre E, Lombardi E, Pucci N, Marcucci F, Vierucci A.
Anafilaxia ao látex após a ingestão de um donut cheio de creme contaminado com látex. J Allergy Clin Immunol. 2002 setembro; 110 (3): 534-5.
Pesquisa publicada na Chemistry & Industry , a revista para a Sociedade da Indústria Química.

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Semana Mundial de Alergia 2016

De 04 a 10 de abril de 2016 acontece a Semana Mundial de Alergia.

No mundo inteiro é crescente a descoberta de novos casos como de novos fatores que contribuem para essa epidemia do mundo atual, e neste ano o destaque da World Allergy Organization é: Alergias ao pólen- Adaptação às alterações climáticas.

Folder da Semana Mundial da Alergia 2016.
Foto de uma criança assoprando uma flor “dente-de-leão”, com o logotipo da SLA aplicado no canto superior direito e o texto “Semana Mundial da Alergia 2016 – 4 a 10 de Abril” aplicado ao centro da imagem.

A Associação de Pacientes com Síndrome Látex Alimentos – APSLA está participando ativamente no intuito de contribuir para maior número de diagnósticos que possibilitem melhor conduta e qualidade de vida para os alérgicos ao látex e alimentos.

Embora pouco conhecida, a alergia ao látex com reações cruzadas com alimentos não é rara e qualquer pessoa pode desenvolver, pois ela é adquirida pela exposição ao látex, o que é comum em nosso cotidiano, tendo números alarmantes de casos entre profissionais de saúde, odontologia, crianças com exposição precoce as luvas, e profissionais das indústrias de alimentos que muitas vezes utilizam látex, contaminando também o alimento de todos nós.

A alergia ao látex não tem cura até o momento e a única maneira de evita-la ou se manter seguro em caso de sensibilização é a exclusão do látex e dos alimentos que a pessoa também reage. A utilização de luvas de látex em ambientes de saúde, o manuseio de alimentos e medicamentos por luvas de látex e o uso de balões festivos de látex em locais públicos são fatores que podem significar risco de vida para pessoas com a Síndrome Látex Alimentos – SLA, pois assim como o pólen suas partículas ficam suspensas no ar e inaladas provocam reações graves pelo contato direto com as mucosas.

 

Daisy Fortes
Presidente da Associação de Pacientes com Síndrome Látex Alimentos – APSLA