Como acontece

Entro em algum ambiente aparentemente livre de látex ou alimentos – ou pessoas chegam à minha casa – e tudo parece agradável Tudo inicia muito rápido ou, em algumas ocasiões, horas depois.

Às vezes sinto apenas sono incontrolável. Outras vezes começa com diarreia intensa.
Na maioria das vezes, meu coração dispara. Um rubor agonizante toma conta de meu rosto, olhos, garganta, enquanto os ouvidos incham instantaneamente e doem.

Tem vezes que começa logo por broncoespasmos e o pulmão ameaça parar de repente. De comum em todas as maneiras que inicia é a sensação eminente da morte. A energia vital parece escorrer de mim e resta apenas agonia.

Em alguns instantes, alguém terá de perceber e me salvar injetando adrenalina. Deveria ter comigo adrenalina auto injetável, mas esta infelizmente não está disponível no Brasil e não posso custear a importação, pois são inúmeras às vezes em que preciso. Então resta a sorte de estar com alguém que saiba o que e como fazer, dosar a adrenalina da ampola na dose certa e aplicar com agilidade, sem hesitar.

Feito isso, em instantes volto a raciocinar e respirar, porém todo impacto da crise levará 21 dias para passar. Durante este período, muita medicação ainda será necessária, muitos cuidados para que as inflamações das mucosas não evoluam para pneumonia ou outros, muita dor – especialmente da cabeça e ocular – terá de ser suportada.

Do que estou falando? ANAFILAXIA.

Quem nunca sentiu ou presenciou talvez tenha ouvido falar em anafilaxia ou em choque anafilático e relacione com reações a anestesias e medicamentos. Mas ela pode ocorrer por diversos motivos, em geral, uma grave reação alérgica.

Por definição, anafilaxia ocorre quando dois ou mais sistemas do organismo, sendo um deles respiratório ou vascular, entram em colapso. Pessoas alérgicas ou com doenças auto imunes podem iniciar o quadro de anafilaxia por diferentes motivos e diferentes sintomas. No caso das pessoas com Síndrome Látex Alimentos – SLA, pode ocorrer apenas por estar no mesmo ambiente que produtos de látex – especialmente as luvas e balões que liberam partículas muito voláteis no ar e que inaladas vão direto aos pulmões – como também por ingerir ou estar no mesmo ambiente de diversos alimentos, perfumes, tintas e muitos outros, dependendo da sensibilização de cada um.

Mas o importante aqui é dizer mais do que como acontece, é dizer que ANAFILAXIA PODE DEIXAR SEQUELAS E ATÉ LEVAR A MORTE. Não são simples sensações, são sintomas graves, urgência médica e devido ao grande aumento de casos de pessoas alérgicas em todo mundo, temos cada vez mais notícias de pessoas que morrem por anafilaxia.

Aquele conhecido que você ouviu falar que morreu por picada de abelha, aquele outro que passou muito mal quando precisou anestesia, tem aquele também que quase morreu ao comer camarão… todos eles sofreram anafilaxia.

Seja solidário e evite expor as pessoas a coisas que podem causar tanto sofrimento. É importante evitar balões de látex em festas, luvas de látex em seu trabalho ou ambiente familiar, não oferecer alimentos às crianças sem a permissão dos pais. Pense no próximo como em você, afinal, alergias podem ser adquiridas em qualquer momento da vida, ninguém está livre.

Como acontece o choque anafilático

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Nhoque de Moranga Capotiá

Receita tradicional italiana muito apreciada no sul do Brasil, o nhoque começou sendo feito de restos de pães ralados, misturados com farinha de trigo – que era um ingrediente escasso – para ser servido aos pobres durante a guerra.

Mais tarde foi se transformando e passou a ser feito e admirado por sua receita com batatas cozidas, cuja lenda diz que, se consumido aos dias 29 com certo ritual, traz fartura.

“Dizem que, num certo dia 29, São Pantaleão chegou a um vilarejo e pediu comida a uma família pobre. O anfitrião dividiu a parca refeição com o santo e cada pessoa comeu apenas sete bolinhas de nhoque. Após as despedidas, os donos da casa encontraram moedas de ouro sob os pratos – daí nasceu o costume de se colocar uma nota ou moeda embaixo do prato de nhoque no dia 29, para atrair fortuna. Os fatos históricos, que pena, tiram um pouco do encanto da simpatia. São Pantaleão viveu entre os séculos III e IV, muito antes, portanto, de o próprio nhoque ter sido inventado. Seja como for, a história é bonita.”

Mas a fartura do nhoque está mesmo na textura e no sabor, que nesta receita com moranga capotiá, são ainda mais intensos e coloridos, ideais para todos os tipos de molhos.

Muito fácil de ser feito, pode ser uma boa atividade em família, afinal, colocar a mão na massa é sempre um prazer. Então bora se enfarinhar!

Foto dos nhoques já enrolados e enfarinhado dentro de formas de metal.
Foto dos nhoques já enrolados e enfarinhado dentro de formas de metal.

Receita:

  • ½ moranga capotiá cozida por 10 minutos ou mais no microondas (o tempo varia de acordo com tamanho e maturação da moranga, o importante é que ela fique um purê bem cozido e homogêneo);
  • 1 a 1 e ½ xícaras de farinha de trigo (pode também ser feito com farinha de arroz)
  • 1 colher de chá de vinagre de álcool natural;
  • Sal a gosto.

Preparo:

Em uma vasilha, coloque a moranga cozida, o sal e o vinagre e adicione farinha aos poucos, sovando.

Quando a mistura desprender facilmente da mão, sem estar pegajosa, largue sobre superfície enfarinhada e sove mais um pouco. Não adicione muita farinha à massa, apenas o suficiente para enrolar sem grudar.

Corte a massa com uma faca em porções pequenas e faça rolinhos com as mãos contra a superfície, cortando posteriormente os nhoques no tamanho desejado. Se preferir, você também pode usar a nhoqueira.

Os nhoques não devem ficar muito grandes, pois assim o interior não irá cozinhar de forma uniforme.

Polvilhe um pouco de farinha neles cortados para não se grudarem durante o cozimento.

Podem ser cozidos diretamente em água fervendo ou congelados por até 3 meses (neste caso devem ser colocados ainda congelados para cozinhar).

Cozinhar por poucos minutos, em fogo alto, até que todos flutuem. Depois é só escorrer.

Conforme mencionado, ele combina com qualquer molho, mas o tradicional é aquele guisado caseiro que cada casa tem o seu tempero.

Foto do nhoque pronto para servir, com molho de guisado caseiro.
Foto do nhoque pronto para servir, com molho de guisado caseiro.

 

Fonte da história do Nhoque: Revista Casa e Jardim