Um protocolo padrão ouro para o atendimento a pacientes com SLA

O Instituto Brasileiro de Excelência em Saúde (IBES) publicou um documento intitulado Práticas Padrão Ouro de Assistência ao Paciente com Alergia ao Látex.

Nos sentimos no dever de reproduzir, na íntegra, todas as informações contidas no PDF que você também pode baixar neste link: Padrão Ouro Livre de Latex.

Confira:

PPO IBES 003 – Práticas Padrão Ouro de Assistência ao Paciente com Alergia a Látex

JUSTIFICATIVA

Alergia ao látex é qualquer reação imunomediada à proteína do látex, associada a sintomas clínicos. Profissionais de saúde devem estar aptos a identificar os grupos de risco e proporcionar condições adequadas para a prevenção e o tratamento seguro, frente às reações graves que podem trazer risco de vida.

APLICABILIDADE

Os profissionais de saúde atuantes em quaisquer tipos de serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de imagem, entre outros).

ALERGIA AO LÁTEX – DEFINIÇÃO

A sensibilização pelo látex ocorre quando há contato repetitivo, estimando-se ser necessária uma exposição de seis meses a quinze anos para o seu desenvolvimento. É causa importante de alergia ocupacional e reações alérgicas em indivíduos
sensibilizados.

Pode manifestar-se como eczema, urticária, simples rinite ou conjuntivite, angioedema, asma e até choque anafilático.

Pacientes considerados como grupo de risco são aqueles que apresentam:

  1. História de anafilaxia ao látex ou teste de reação ao látex positivo.
  2. História de alergia/sensibilidade ao látex, com referência aos seguintes sinais e sintomas:
    – prurido, edema ou vermelhidão após contato.
    – edema de lábios ou língua após tratamento odontológico ou por assoprar balões de borracha.
  3. Pacientes sem história de alergia ou sensibilidade, mas pertencentes ao grupo de risco:
    – com espinha bífida / anormalidades urogenitais congênitas ou adquiridas, que necessitem cateterizações vesicais freqüentes.
    – profissionais de saúde ou trabalhadores de indústria que manuseiam látex.
    – pacientes submetidos a múltiplos procedimentos cirúrgicos.
    – pacientes atópicos, com alergias múltiplas (abacate, abacaxi, banana, castanha, kiwi, nozes, morango, uva, maracujá, pêssego, damasco, manga, banana, tomate, batata).

PRÁTICAS PARA A ASSISTÊNCIA AO PACIENTE COM ALERGIA AO LÁTEX NO AMBIENTE DE SAÚDE

  1. Capacite todos os profissionais de saúde da sua instituição para o reconhecimento dos pacientes do grupo de risco.
  2. Crie sistemática de identificação do paciente alérgico ao látex, visando proteger o paciente de exposição a materiais que contenham látex. A identificação deve ser feita tanto no paciente (por exemplo, uso de pulseira de alerta: “Alergia ao Látex”), quanto em todos os documentos do prontuário (prescrições, evoluções, etc), diariamente.
  3. Cuidados devem ser prestados de forma a envolver o mínimo de pessoal possível. Profissionais envolvidos no atendimento ao paciente do grupo de risco, deverão ser orientados a seguir o protocolo: médicos, enfermagem, equipe multiprofissional, equipe de higiene, voluntários, e serviços de apoio (Radiologia, Laboratório, etc).
  4. Cirurgia eletiva do paciente de risco deve ser agendada no primeiro horário, quando se encontram os mais baixos níveis de antígenos dispersos no ar, diminuindo a exposição às proteínas do látex. Se não for no primeiro horário, a sala
    cirúrgica deve permanecer parada por 2 horas e 30 minutos.
  5. No Centro Cirúrgico:
    – membros da equipe: devem mudar trajes e lavar as mãos antes de entrar na sala de cirurgia “livre de latex”;
    – restrinja o fluxo de pessoas: a mesma equipe deve ser mantida durante toda a duração do procedimento cirúrgico;
    – manter pessoal disponível para coletar e entregar qualquer equipamento adicional para o procedimento;
  6. Afixar alertas de “Alergia ao látex” nas áreas de permanência do paciente (salas de cirurgia – dentro e fora, recuperação anestésica, quarto – cabeceira e parte da frente da cama.
  7. Disponibilizar caixas de luvas sem látex em todas as áreas: devem ser verificadas na admissão, colocadas ao lado da cama do paciente e utilizadas durante a internação.
  8. Qualquer item ou equipamento a ser utilizado sobre ou perto do paciente precisa ser verificado sobre o conteúdo de látex antes do uso.
  9. Padronizar materiais “isentos de látex”. Tal identificação deve constar na embalagem.
  10. Outros cuidados que devem ser tomados no atendimento o paciente:
    – Colchonetes e braçadeiras, não identificados como “isentos de latex”, devem ser cobertos com lençol de algodão;
    – Equipamentos de ressuscitação: isentos de látex.
    – Balões de latex: proibidos nas áreas pediátricas;
    – Carrinhos de reanimação devem ter luvas, circuitos, máscaras e catéteres sem látex;
    – Tegaderm®, Micropore® e gesso Sleek ® são livres de látex e podem ser usados;
    – O estetoscópio deve ser livre de látex (ex: Littman ® contém látex);
    – Se possível: não aspirar ou diluir medicamentos através das tampas dos frascos, não aspirar ou injetar pelos injetores das bolsas, não puncionar nos injetores laterais dos equipamentos.
    – Higiene e SND devem ser informados sobre pacientes com alergia a látex para garantir precauções ao limpar a área dos pacientes e servir comida (ex: luvas de vinil para preparação de alimentos e luvas livres de látex para limpeza).
  11. A equipe assistencial deve estar preparada para manejar uma reação alérgica aguda.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SITES DE INTERESSE

  1. http://www.sbai.org.br/revistas/Vol335/alergia_33_5.pdf
  2. http://formsus.datasus.gov.br/novoimgarq/16061/2404714_218117.pdf
  3. http://www.saj.med.br/uploaded/File/novos_artigos/106%20-%20Anestesia%20e%20as%20Novas%20Fronteiras%20da%20Alergia.pdf
  4. http://www.rch.org.au/rchcpg/hospital_clinical_guideline_index/Latex_management_of_a_patient_at_risk_of_or_with_a_known_latex_allergy/
  5. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-70942003000100012&script=sci_arttext

CONTRIBUIÇÕES

– Eliana Maria Pereira Castiglioni
Enfermeira pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialização em Enfermagem Obstétrica pela UNIFESP. Especialização em Hospitalar pelo IPH. Especialização em Enfermagem em Centro Cirúrgico pela Universidade de Guarulhos
(UNG). Título de especialista em Gerenciamento em Enfermagem, pela Sociedade Brasileira de Gerenciamento em Enfermagem (Sobragen). Avaliadora-Líder ONA/IBES.

 

 

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