Relato de Alergia ao Látex com Diagnóstico Tardio

Descrevo aqui tudo que posso lembrar-me e possa vir a ter relação estabelecida com manifestações físicas que, hoje, sei serem devido da Síndrome Látex Alimentos, conhecida por Alergia Látex Fruta ou Síndrome Látex Fruta Vegetais, nomeada por mim de forma mais ampla devido a infinidade de alimentos relacionados por alérgicos ao látex de todo o mundo.

Saliento que muitas coisas custam a estabelecer relação devido ao tempo decorrido sem diagnóstico correto, a falta de literatura e de conhecimento a respeito e que, portanto, sendo eu leiga em medicina convencional (a não ser pelos tantos tratamentos e cirurgias a que fui submetida) não tenho nenhuma pretensão em apresentar trabalho científico, apenas de criar meios para esses, registrando informações que poderão vir a ter sua relação estabelecida, facilitando o diagnóstico e a compreensão dessa alergia que parece estar crescendo a medida que a utilização do látex também o faz.

Primeiros sintomas alérgicos

Nasci de cesariana em 1970. Fui amamentada por apenas um mês e criada com hábitos excessivos de higiene.

Durante toda infância tive constipação, chegando a ficar uma semana sem evacuar. Ao comer pipocas, passava 3 dias vomitando. Cólicas e dores de cabeça foram sempre presentes.

Em 1979, com 9 anos de idade, tive uma forte reação alérgica, com inchaço especialmente do rosto e da glote, pois havia tomado um xarope de um primo e foi diagnosticado como sendo alergia ao iodo.

Em três outras ocasiões, por uso indevido de iodo em exames no hospital, tive reações cada vez mais fortes.

Desde 1979, sentia fortes inchaços na cabeça, dores diagnosticadas como enxaquecas muito fortes, que me deixavam totalmente aturdida, com sensação de falta de oxigenação na cabeça. A cada dita crise de enxaqueca, passava uma semana com dores insuportáveis na cabeça e náuseas, algumas vezes acompanhadas de vômitos.

Em 1986, aos 15 anos de idade, dei a luz a um menino.

De 1986 em diante, passei por demasiados procedimentos ginecológicos, tendo feito cinco laparoscopias e três cirurgias, sendo que após a primeira laparoscopia – onde foi diagnosticado Endometriose – tive uma infecção de trompas, fiquei dois anos sem menstruar, com as trompas obstruídas, mas ainda com Endometriose, passando por histerosalpingografias e demais procedimentos constantemente. Em 1986, também, tive a primeira pneumonia durante a gravidez. Depois, após duas laparoscopias, tive pneumonia novamente.

Em 1994 fiz tratamento para indução à gravidez, ainda na busca pela cura da endometriose. Engravidei e passei por um abortamento espontâneo devido a toxoplasmose. Estava com 15 semanas de gestação.

No ano seguinte, 1995, tive a primeira crise de asma. (Refiro isso embora não entenda ainda bem essa relação, mas foi por esse fato que iniciei a conversa com meu ginecologista onde foi feito meu diagnóstico de Síndrome Látex Fruta Vegetais). E por essa época também, um pouco antes, passei a ter uma tosse seca muito forte e irritante, pela qual eu já era reconhecida, e que me causava, além do desconforto de tossir, muito constrangimento.

Depois disso, outra série de cirurgias.

Em 1998, nódulo da mama. Em 1999, histerectomia.

Em 1999, descobri também que tinha Glaucoma e estava ficando cega, tendo passado por 18 cirurgias nos olhos entre 2001 e 2009.

Diversas hipoglicemias acompanhadas de hipotensões, levando à perda de consciência, que em uma delas, no final do ano de 1999, me levou a uma isquemia leve e a ficar três meses internada no Hospital São Lucas- PUCRS, para investigação do caso e para fisioterapias. Nesse momento, foi dado como diagnóstico início de diabetes e a recomendação que segui, a risca, dali em diante foi de retirar totalmente o açúcar da dieta, o que provavelmente contribuiu para diminuição do contato com alguns dos alérgenos que mais adiante descobri ser o mais reagente em meus exames de IgE, o grupo das castanhas, pois o doce que sempre consumi mais foi o chocolate, e esse costuma ter sempre a presença de ao menos traços de castanhas. Durante onze anos não consumi açúcar, mas ainda chocolate diet, o qual parei por que me sentia mal quando comia e não identificava o por quê. Hipotensões, hipoglicemias, desmaios, enxaquecas, dores estomacais, cólicas, urticárias e pneumonias passaram a ser frequentes.

Em 2002, acidez gástrica dez vezes acima do normal, sangramentos digestivos, e a tosse seca foi diagnosticada como tosse por refluxo gastroesofágico e, após sangramento digestivo, passei por cirurgia de urgência para Correção de Hérnia de Hiato. Nesta época, vomitava quase tudo que comia.

Paralelamente, fui diagnosticada com glaucoma em estágio avançado em um dos olhos e evolutivo no outro, isso no ano de 2000. De 2001 à 2005 passei por oito cirurgias oculares em busca do controle da pressão intra ocular. Tinha dores incapacitantes nos olhos, na face e toda cabeça, sensação de que o crânio estava inchado. Edemas cada vez mais evidentes aos amigos, não eram percebidos ou valorizados pelos médicos.

Quanto mais tentava colírios, tratamentos e cirurgias oculares para o controle do glaucoma, pior ficava. E então, em 2001, fiquei totalmente cega do olho esquerdo. Em 2004, também do direito.

Em 2003, a acidez continuava, até havia aumentado. Diagnóstico de Intolerância a Lactose, nova Cirurgia de Correção de Hérnia de Hiato (às pressas) devido a sangramento digestivo por úlcera. Mesmo após cirurgia, muita acidez e necessidade de medicação para refluxo gastroesofágico.

Anemia, diarreias devido à Intolerância a Lactose sempre foram constantes, tendo passado com peso entre 44 e 48 kg (tenho 1,70 de altura). Estava sempre abaixo do peso para minha altura.

A cada cirurgia, passava mais mal. Eram tocados anestésicos, necessitava adrenalina e altas doses de corticoides, mas nunca me foi mencionado o termo “anafilaxia” ou houve encaminhamento para um alergologista investigar a(s) causa(s) das reações.

De 2005 em diante, depois de alguns tratamentos dentários, passei a ter crises cada vez mais frequentes de rinite e asma, muitas evoluindo para sinusites e pneumonias. Edemas, especialmente na face, passaram a chamar à atenção.

A tosse seca também estava mais forte e já se estabelecia relação direta por fatores que a desencadeavam, como corantes de alimentos amarelos (que também originavam diarreias), cerveja, vinho, sucos, molhos e muitas outras coisas.

Em 2007, após longas conversas com vários médicos, chegou-se a conclusão que eu não era diabética de forma alguma, e que as hipoglicemias teriam outra origem, talvez mais relacionadas à intolerância a lactose, então aos poucos voltei a ingerir açúcar e consequentemente chocolates, e as crises de asma passaram a ser muito frequentes.

Pontos, curativos com fitas adesivas, tudo causava séria rejeição e urticárias.

Em 2008 ingressei na faculdade de tecnologia de alimentos, passando a ter muito mais contato com alérgenos alimentares e comendo com maior frequência castanhas, uvas e kiwis, típicos da região onde fui morar para estudar.

Muitas crises fortes por muito tempo me levaram, em 2008, a imunoterapia também.

Sabendo-se comprovadamente por testes de contato de outras tantas alergias que eu apresentava, foram feitas as vacinas, todas ocasionando novas crises, que depois esclareceu-se que foram devido ao uso de seringas com êmbolos de borracha e frascos com tampas de borracha, além da contaminação das luvas durante todo seu processo de manipulação em laboratório.

Anos de tortura e falta de compreensão.
De 2009 à 2010 passei por mais dez cirurgias oculares pelo glaucoma.

Fui removida por ambulância em duas vezes durante aulas práticas de laboratório e por diversas outras tive de me retirar por não suportar os sintomas. Durante as diversas vezes que fui aos atendimentos de urgência ou aos médicos que me acompanhavam, nunca era mencionado o termo “anafilaxia”, exceto pelo alergologista que passei a frequentar e recentemente havia feito diagnóstico de alergia grave. Desde a infância apenas vago com idas raras a consultas nesta especialidade que culminavam em medicação para controlar os sintomas manifestados, evoluindo de muitos anti histamínicos para o uso cada vez mais frequentes de corticoides. Foi necessário abandonar o curso de tecnologia de alimentos e procurar um alergologista após ter cinco anafilaxias seguidas em atendimento de emergência, após ser retirada inconsciente do laboratório onde pela primeira vez uma médica evidenciou e referiu que eu estava tendo anafilaxias e que a causa estava ali comigo ou no ambiente hospitalar, sendo enfática em me medicar e dar alta para que eu fosse para casa e tomasse banho e procurasse o alergologista. Até então, creio que eu nem mencionara ao alergologista ao qual havia ido em poucas consultas até então, estes episódios graves além da asma. Não fazia ideia sequer que estavam relacionados.

Eis que, em conversa durante consulta de revisão com o ginecologista desabafo: “Estou muito bem, mas estaria bem melhor se não fossem as alergias, não aguento mais estar constantemente em crise alérgica, já ter inchado e aumentado 20 quilos, ter de tomar corticoides em grandes doses e não saber o que fazer para reverter isso”. E, então, surge a conversa reveladora.

Esse, que além de ótimo ginecologista é uma pessoa maravilhosa, ao me observar e fazer alguma perguntas me revela que estuda as reações ao látex devido ao fato de ter alguém próxima à ele, também médica, que descobriu ter tal doença, e que passou e passa por transtornos semelhantes aos que eu passava. Com receio de invadir a especialidade alheia, me reencaminha ao alergologista para falar a respeito e se possível fazer exames de IgE.

Assim foi feito. O alergologista, agradecido pela ajuda do colega em nos mostrar um caminho até então não percebido inclusive pelo fato de se ter outros diagnósticos e esse não ser comum, me encaminhou aos exames e lá se confirma alergia ao caju e a banana, estabelecendo reação cruzada com látex e muitas outras coisas. Muitos exames foram feitos e reações diagnosticadas.

E aí, tudo parece finalmente ter um elo entre si, e não apenas o fato de ter um monte de doenças como se elas fossem isoladas.

Constatações

Tenho Glaucoma, mas esse agravou-se devido ao aumento da pressão intracraniana que ocorre durante as crises, acompanhando os edemas (inchaços).

Tenho acidez gástrica somente se ingerir Lactose e se consumir qualquer dos alimentos me causam alergias, caso contrário meu estômago vai muito bem (obrigada!) e sem uso de medicação.

Só tenho crises de asma e sucessivas pneumonias após contatos com látex ou outros alérgenos aos quais reajo.  Os problemas ginecológicos muitos foram em função de genética, de péssimo acompanhamento médico na época e gravidez precoce, e o abortamento decorrente da toxoplasmose parece ter sido o gatilho para tornar-me mais alérgica.

As diversas cirurgias agravaram a alergia ao látex por excesso de exposição, e a cada procedimento, me tornavam mais hipersensível.

Minha dieta, supernatural e orgulhosa por adorar tudo que é saudável, em especial tudo que sei hoje que não posso, também agravou bastante a situação.

Hoje procuro evitar tudo que descrevo mais adiante e que se sabe que me causa reação, e muito mais que ainda nem sei, e é quase impraticável estar fora de risco.

Tenho cuidados especiais devido à cegueira provocada pelo Glaucoma e agravada pelo aumento da pressão intracraniana gerada pelas crises alérgicas, e esses cuidados muitas vezes me expõe ao látex.

Tenho cuidados odontológicos a fazer impraticáveis e a dificuldade de nem poder usar creme dental.

Minha dieta é limitadíssima… mas tenho uma dieta a seguir.

E, principalmente, tenho a consciência sobre essas coisas, e isso faz toda diferença.

Sei com o que me medicar, consigo identificar mais facilmente a origem das crises para tentar evitar a reincidência, e melhorei consideravelmente minha qualidade de vida com o auxílio de bons médicos dispostos a se envolverem, embora muitos nem queiram me atender por não estarem dispostos às “novidades”, e assim estamos em busca de entender melhor essa “doença moderna” e buscar maneiras de lidar com ela.

Relação dos diversos sintomas pós-contato com diferentes alérgenos

(correlação entre grupo alergênico, tipo de contato, tempo de manifestação e medicação necessária).

1- Látex

1.1- Causa: contato por pele, mucosas ou inalação do látex, especialmente com o pó adicionado a borracha (talco de luvas, balões…).

1.2- Reações: anafilaxia, asma, laringite com edema de glote, dores oculares, inchaço, urticária, vermelhidão.

1.3- Tempo de manifestação: entre 6hs e de 12hs após o contato.

2- Frutas, Legumes, Verduras e Castanhas

2.1- Causa: ingestão ou contato com frutas, castanhas e outros alimentos. Sempre muito forte quando por castanhas e mandioca.

(Kiwi; uva, laranja, limão, pêssego, banana, morango, manga, caqui, melancia, moranga, brócolis, espinafre, mandioca, batata, alface americana, rúcula, radite, caju, nozes, castanhas, pinhão, amendoim, vinho, cerveja, refrigerantes, carnes com amaciante, chocolates e biscoitos contendo traços de castanhas, ginko biloba, soja…)

2.2- Reações: inchaço principalmente das vias respiratórias superiores, perda de consciência, dor intensa na cabeça, especialmente nariz e olhos, má digestão, azia, diarréia, dores abdominais, sangramento com fezes, sensação de colapso circulatório e congestão.

2.3- Tempo de manifestação: 15min. a 4 horas após a ingestão, ou em alguns casos imediatamente.

3- Fragrâncias.

3.1- Causa: fragrâncias em geral  de frutas, perfumes, xampus, cremes, produtos de limpeza, cera, tintas, sabões, lenha, cigarro, incensos, colas.

3.2- Reações: inchaço vias respiratórias superiores e rosto e queimaduras nas mucosas e pele, dor ocular, edema de glote, urticária, vermelhidão.

3.3- Tempo de manifestação: imediata

4- Tartrazina

4.1- Causa: ingestão ou inalação de corante amarelo tartrazina em alimentos, medicamentos, produtos de higiene e limpeza.

4.2- Reações: coceiras, tosse seca, bronco espasmos, acidez gástrica, má digestão, urticária, vermelhidão.

4.3- Tempo de manifestação: imediata

5- Sol, Calor, frio e Atividade Física

5.1- Causa: exposição ao sol ou manta térmica com infravermelho, calor, suor, caminhadas, bicicleta ergométrica, agitações.

5.2- Reações: vermelhidão, urticária, inchaço do rosto e vias respiratórias superiores, broco espasmos, edema de glote.

5.3- Tempo de manifestação: imediato ou até 2 horas.

6- Cloreto de Benzalcônio e demais conservantes

6.1- Causa: Uso de medicamentos e soro fisiológico contendo conservantes.

6.2- Reações: queima da mucosa, dor; inchaço; falta de ar.

6.3- Tempo de manifestação: imediata.

Observação sobre o Cloreto de Benzalcônio.
Esse conservante parece ter agravado muito a sensibilidade das mucosas, pois está presente em diversos (quase todos) colírios que usei na tentativa de estabilizar a pressão ocular e que sempre tiveram efeitos adversos, bem como em medicações inalatórias para rinite (especialmente Avamys) e tratamento para clareamento dental, todos tendo desencadeado reação extremamente fortes e com queimaduras em toda mucosa dos olhos, nariz, laringe e esôfago, evoluindo para crises severas de asma. Foi confirmada sala reação quando após retirada quase total de outras medicações fiz uso de soro fisiológico contendo o mesmo e a reação apareceu igual a quando em outros.

 

Produtos que Oferecem Risco Eminente

  • Filtros de água e nebulizadores;
  • Leites e derivados devido ao manuseio durante a ordenha;
  • Lingeries com elástico;
  • Meias;
  • Panela de pressão;
  • Produtos de limpeza;
  • Produtos e equipamentos odontológicos;
  • Luvas, camisinhas, garrotes, êmbolos de seringas, tampas de frascos, tubos balões, atilhos, e demais materiais de látex, principalmente de uso hospitalar, sendo o talco usado em alguns desses muito volátil, tornando a exposição perigosa devido a facilidade com que penetram nas vias respiratórias, além do contato;
  • Travesseiros e colchões;
  • Cosméticos, maquiagens e perfumaria, tudo que tem aromas tem ácido cítrico;
  • Margarina;
  • Refrigerantes e bebidas alcóolicas;
  • Secadores de cabelo;
  • Splits, ar condicionados e climatizadores que contenham borrachas no interior;
  • Controles remotos;
  • Fones e cabos elétricos;
  • Canetas com borracha;
  • Calçados e bolsas com borracha;
  • Adesivos, colas em geral;
  • Brinquedos;
  • Medicamentos e alimentos com aditivos em geral, muitos não informam nem mesmo a presença dos corantes;
  • Cuidado com as substâncias presentes e descritas apenas como “excipiente q.s.p.”;
  • Cuidado especial com ingredientes presentes em diversos tipos de alimentos e perfumaria, como ácido cítrico e gomas arábica, guar e xantana;
  • Cuidado com a manipulação de alimentos por luvas de látex, inclusive pão;
  • Cuidado com os traços das substâncias alérgenas em alimentos, pois a Anvisa não obriga a informação de tais traços, exceto leite e glúten;

 

  Alimentos que Oferecem risco Eminente (por ordem de gravidade dos sintomas)

  • Castanhas, de qualquer tipo (nozes, amendoim, pinhão…);
  • Alho;
  • Chocolates e biscoitos que contenham traços de castanhas, amendoim, nozes e assemelhados;
  • Frutas em geral, especialmente uva, banana, kiwi, melancia, laranja, limão, abacate, pêssego e morango;
  • Mandioca;
  • Brócolis, espinafre, rúcula, radite e assemelhados;
  • Batata inglesa;
  • Soja;
  • Gengibre
  • Grãos integrais, cereais;
  • Manjericão, sálvia, alecrim, erva cidreira, hortelã, ervas aromáticas no geral;
  • Mostarda;
  • Aromatizantes naturais ou artificiais;
  • Produtos manipulados em locais que manipulem qualquer dos anteriores e que possa haver contaminação pelos mesmos;
  • Cebola;
  • Alface;
  • Pepino;
  • Ovo;
  • Linhaça;
  • Salsa;
  • Milho;
  • Aditivos (sulfitos, corantes, emulsionantes…).

 

Condutas a partir do diagnóstico

1.Exclusão total do látex.

2.Estabelecimento da dieta.

É fundamental estabelecer a dieta segura da forma correta, que sempre que possível envolve o auxílio de profissionais além do alergologista como nutricionista, gastroenterologista, psicólogo e os que forem necessários e envolvidos.

A principal dica para chegar a dieta segura é ter consciência de que alérgicos ao látex com reações cruzadas à alimentos tem dieta individualizada e podem reagir a muito mais alimentos dos que os relacionados em estudos até o momento portanto quando não há estabilidade com remissão dos sintomas pode ser necessário permanecer em dieta extremamente restrita mas segura por período a ser determinado em conjunto com os profissionais envolvidos e também com o auxílio deles, realizar de forma segura as reintroduções de um alimento por vez, respeitando prazos para observar reações até chegar a uma dieta diversificada segura. O contrário, retirar alimentos sem a certeza de a quais a pessoa reage além de tornar o processo difícil e confuso devido as várias formas de reações de alérgicos com Síndrome Látex  Alimentos – SLA pode levar a exclusões desnecessárias tanto quanto sensibilizar cada vez mais por insistir em ingerir alimentos que causam reações apenas por não os considerar relacionado ao látex.

Passei, para isso, quatro anos comendo apenas derivados de farinha de trigo branco a e carnes, após descobrir reagir ao arroz, fazendo testes de provocação oral (TPO) aliados a exames, para enfim chegar aos alimentos que seguem.

Dieta de Daisy Fortes

  • Cenouras;
  • Cacau;
  • Café;
  • Carnes;
  • Coco;
  • Derivados de cana de açúcar;
  • Moranga capotiá;
  • Farinha de trigo branca;
  • Pimentas;
  • Batata doce;

Lembrando que esta dieta é segura para mim e não significa ser para outros pois cada organismo estabelece reações cruzadas diferentes, o que é um dos maiores desafios para pessoas com SLA pois cada um terá de descobrir sua própria dieta

3. Cuidados gerais.

É preciso repensar a nossa existência para viver com alergia ao látex quando se está muito sensibilizado, e se possível, antes de chegar a tanto.

Algumas medidas que podem inicialmente parecerem muito radicais podem ser o detalhe que faz toda diferença na qualidade de vida.

Muitas dicas essenciais para exclusão do látex como cuidados com medicamentos, aromas, roupas e ambiente em geral, além de receitas e protocolos para atendimentos de saúde estão disponíveis no blog http://www.slabrasil.com  e são postadas aqui no Facebook https://www.facebook.com/sindromelatexalimentos/ .

4. Tratamentos, medicações e condutas.

Durante os últimos cinco anos fiz uso de medicação para controle da asma grave mediada por IgE, e com isso as reações anafiláticas também diminuíram bastante, porém houveram muitos contratempos com o uso desta medicação, que trouxe inúmeros e graves efeitos colaterais e recentemente tive anafilaxia a própria medicação, precisando descontinuar o tratamento e estando agora mais sensibilizada e com os efeitos colaterais acumulativos de tudo este processo.

É fundamental estar consciente de que a alergia ao látex é adquirida pela exposição excessiva e/ou precoce (atenção às crianças! O número de crianças diagnosticadas tem aumentado muito e a exposição precoce as luvas de látex no ambiente hospitalar está entre as principais causas.), progressiva e até o momento não há comprovação de dessensibilização,  tratamento ou curas possíveis, embora hajam especulações em parte da Europa para dessensibilização só o que houveram até então foram registros de reações graves em grande parte dos pacientes envolvidos nas tentativas e relatos vagos de possíveis melhoras. Tais experimentos estão desaprovados pela FDA e pela comunidade médica em geral.

 

Daisy Fortes, 20 de junho de 2018.

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