Progressão

A alergia ao Látex é mesmo Progressiva?

 

Sim. Não é à toa que focamos em três fatos quando se fala em alergia ao látex:

– Adquirida;

– Progressiva;

– Incurável até o momento.

Estes são os três aspectos que mais a diferenciam das demais alergias e fazem com que os cuidados e a prevenção através da exclusão do látex seja tão importante.

A alergia ao látex é adquirida pela exposição, e nos pontos onde mais devemos ter saúde, alimentação e ambientes de atendimento de saúde, é onde os riscos são maiores pela utilização frequente de luvas de látex, fazendo destes os grupos de profissionais que mais adquirem a doença como também comprometendo muito a manutenção dos cuidados de quem já adquiriu, e levando este risco à todos pois voc~e pode estar ingerindo látex todos os dias nos seus alimentos e assim, sem nenhuma noção, estar no grupo de risco.

Muitos países e alguns estados dos Estados unidos já baniram o látex nestes ambientes, bem como a utilização de balões de látex em decorações e eventos, balões estes que causam também um mal imenso ao meio ambiente.

Mas e quanto ao fator progressiva, é mesmo SEMPRE progressiva? Sim, muito.

As pessoas sensibilizadas que ignoraram esse fator ou tiveram diagnóstico tardio por falta de percepção dos médicos chegam a casos tão ou mais extremos do que os meus.

Para os que acompanham o blog e a página, há um relato mais detalhado do meu caso, mas posso resumir dizendo que tive todos os fatores de risco contra mim. Nasci de cesárea, mamei no peito apenas um mês, minha mãe é fanática por limpeza, mas principalmente, passei por 42 cirurgias, a maioria evitável se o diagnóstico tivesse sido feito antes e com certeza teria evitado essa vida de exclusão alimentar e social que tenho.

Destas 42 cirurgias, 18 foram oculares e afim de controlar a pressão alta dos olhos e a falta de controle do glaucoma com colírios. Descobri anos depois alergia séria ao conservante cloreto de benzalcônio, presente na imensa maioria dos colírios e tratamentos nasais para rinite, bem como em protetores, solares, detergentes e muito mais. Talvez se nunca tivesse tentado usá-los não teria piorado, mas o que realmente agravou o quadro foram os constantes contatos com o látex nas minhas mucosas oculares que causavam não só aumento da pressão ocular como toda pressão intra craniana, chegando a me levar ao coma por hipóxia.

Duas das cirurgias foram digestivas. Resolveram abrir todo meu abdômen para uma simples cirurgia de hérnia de hiato por que mesmo acompanhada por gastroenterologista, pneumologista e outros, não descobriam por que eu vomitava tudo que comia e tinha acidez estomacal 300 vezes acima do tolerável. A primeira cirurgia foi um fracasso pois a dieta líquida  e pastosa pós cirúrgica foi baseada em frutas e os pontos arrebentaram de tanto que eu vomitava, já alérgia e sem conhecimento, estive considerada morta ao ser operada novamente desta vez de urgência, para fazer o que dava, e com isso fecharam meu hiato de tal forma que não vomito mais, o que torna as crises por ingestão de alérgenos muito piores pois preciso esperar o tempo do organismo se livrar do agressor.

O que essencialmente quero dizer é que além da fundamental exclusão das luvas de látex temos de ter consciência que é progressiva para evitar estes extremos como  o meu, pois assim que tiver o diagnóstico, de preferência o mais cedo possível, é preciso excluir totalmente o contato com o látex. Tenho minas dúvidas se isso é possível, levei 5 anos preparando um ambiente totalmente livre de látex na minha casa e ainda assim os contatos ocorrem se saio de carro, ou abro uma janela ou ainda se alguém que passou por luvas e balões se aproxima, mas a exclusão tem de ser máxima dentro do que se conseguir, inclusive evitando, para os que tem reações cruzadas com alimentos, e elas aparecem pela progressão da doença na maioria dos casos e o grupo de alimentos seguros vai se tornando menor a cada ano, não excluam alimentos sem necessidade. Para saber se o alimento e o medicamento é seguro, antes de tudo, precisamos a certeza de que está livre de látex.

Mas alguns já ouviram dizer que houveram casos de dessensibilização ou cura na Europa!

É, dizem, mas são registros vagos de projetos pouco confiáveis e mal relatados, suspenso pelos altos números de casos com anafilaxias nas tentativas, ou seja, boatos não confirmados diante de muitas evidências de que todos os pacientes no mundo demonstram piora e jamais estiveram perto da cura.

Tenho contato atualmente com pessoas alérgicas de 08 países diferentes, muitas pessoas, não há nada de raro em ser alérgico ao látex, o que é raro infelizmente é o diagnóstico e a conduta adequada, que somados a infestação de látex nos ambientes só leva a progressão. Nosso organismo se arma amis a cada contato com alérgenos, tanto que os tratamentos possíveis para outras alergias envolvem primeiro, a exclusão total do alérgeno para depois reeducar nossa imunidade aos poucos, o que no caso do látex não é possível, até mesmo o mínimo traço existente em vacinas de dessensibilização para outros alérgenos como eu tentei por que ainda não estava diagnosticada, acaba por sensibilizar muito mais.

É preciso excluir o látex, urgente.

Proteja você e sua família.

Abraços, Daisy.