Alternativas Naturais Artesanais

O blog foi criado com foco nas adaptações que a alergia ao látex impõe diante de tantos produtos industrializados dos quais precisamos abrir mão para uma vida livre de látex.

Diante disto, cada vez mais outros aspectos da vida da protagonista deste blog e da página do Facebook Síndrome Látex Alimentos- SLA estão diretamente ligados aos conteúdos que disponibiliza como tentativa de auxiliar nesta jornada.

Eu, portanto, Daisy Fortes, sempre fui uma pessoa de opções naturalistas, pratico yoga desde os 14 anos de idade (estou com 47) e sou uma apaixonada e disciplinada aluna da vida, tendo foco em conhecimentos ancestrais indianos, xamânicos e tudo que reestabeleça ao máximo possível minhas conexões com o universo.

Tenho convicção de que este é um aspecto fundamental para minha sobrevivência até aqui, e creio que os que me conhecem ou ao menos leram o relato sobre a descoberta da SLA em minha vida poderá facilmente perceber isso.

Os tempos tem sido difíceis, sem conseguir alívio dos sintomas mesmo com altas doses das poucas medicações possíveis, com isso, a meditação, o Reiki e a alquimia diária de inventar e reinventar comidas saborosas com apenas 10 itens e criar produtos de higiene pessoal e limpeza os mais naturais possíveis com estes mesmos poucos ingredientes, embora pareça para alguns uma parte muito difícil do processo, é para mim o motivo maior de gratidão à vida. Descobrir a cada dia uma maneira de vida mais natural e independente da industrialização é um desafio delicioso.

A partir de agora então, teremos no blog e na página além das receitas comestíveis, dicas de alternativas naturais artesanais para vida diária, iniciando pelos cuidados de higiene pessoal. Lembrando que não é apenas uma opção por ser natureba, é para muitos alérgicos, a única opção saudável, o que nos leva ao significado maior: “Tudo na vida traz consigo aprendizado, você decide quando irá absorver para seguir para a próxima lição”.

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Alergia ao Látex: Medicações e Atendimentos de Urgências

Algumas considerações especiais quanto aos medicamentos precisam ser levadas e conta quando se tem alergia ao látex:

Primeiramente, qualquer medicamento que você costuma usar, ou seja, receitado vai precisar ser livre de látex, isso significa que, além de saber se você reage a algum componente do medicamento, será preciso informações precisas do laboratório quanto à produção dos mesmos, a fim de descartar possíveis contaminações durante a fabricação, embalagem e estocagem.

Embora tenhamos uma lei que obriga a rotulagem do látex em alimentos (e esta não vem sendo cumprida satisfatoriamente) e de produtos médico hospitalares, não há regulamentação sobre a rotulagem do látex em medicamentos, onde é muito comum a presença do mesmo, e em boa parte dos laboratórios nem saibam informar.

A cansativa rotina de alérgicos de fazer contatos com SAC é fundamental para segurança e precisa se obter a certeza de alguma forma de que a resposta é confiável, portanto, sempre que possível fale com o farmacêutico responsável.

Outro ponto importantíssimo é o da conduta em urgências. Alérgicos com asma grave e/ou anafilaxia precisam obter as informações citadas logo que diagnosticados para saberem exatamente quais medicações poderão ser usadas com segurança diante de uma crise grave.

Crises graves são acidentes, demandam ações rápidas e precisas, você não poderá esperar por informações e o risco de utilizar algo que possa ainda agravar o quadro não pode existir.

O ideal é que, logo que diagnosticado e prescrito pelo médico o que você deverá usar tanto em conduta de manutenção quanto de crise seja pesquisado e, assim que souber quais medicações e laboratórios pode confiar, ter um kit de emergência sempre a mão.
Seringas, luvas, garrotes, aparelho de pressão, o que for possível e habitualmente necessário em urgências podem também fazer parte do kit, mas o ideal é que um básico com mínimo necessário seja feito para que esteja sempre junto ao paciente.

Exercícios em que a família pode e deve contribuir podem ser realizados aleatoriamente para conferir se você estaria pronto para uma crise. Telefonemas ou mensagens ocasionais em que alguém incite: – Você está começando a reagir, encontre sua adrenalina em no máximo 10 segundos. Após, encontrada adrenalina, quanto tempo você levaria para se deslocar ao atendimento médico mais próximo? Seu kit com medicação segura estaria com você?

Embora não sejam suficientes para evitar reações, uma vez que o látex não é totalmente retido por elas e olhos e pele também absorvem e podem assim levar a reações graves, máscaras ajudam muito para alérgicos que reagem pela inalação que necessitem ambiente hospitalar.

Não há modelo que retenha totalmente o látex no mercado, nos EUA utilizam respiradores reutilizáveis da 3M linha 6800, mesmo enormes e um tanto constrangedores, ainda que não resolvam totalmente o problema são os mais eficazes. Modelo Aura pff3 3M também são livres de látex e com boa absorção, estes mais fáceis de serem encontrados e com valor baixo podem compor o kit de emergência e garantir que você ao menos consiga suportar o ambiente hospitalar. Desconheço outra marca que tenha respiradores livre de látex, por isso cito 3M, sem qualquer interesse em divulgar a mesma.

Laudo médico é sempre fundamental, bem como receita das medicações para crise que devem ser seguidas por plantonistas ou seu médico deverá ser informado.

Os risco da utilização de medicamentos e equipamentos durante uma emergência, que contenham látex, é enorme e neste caso, mesmo que a medicação inicie um processo de regressão do pico da crise, ela poderá voltar com intensidade maior minutos, horas ou mesmo até 03 dias depois.

Alergia é coisa séria!
Cuide-se!

sla

Um protocolo padrão ouro para o atendimento a pacientes com SLA

O Instituto Brasileiro de Excelência em Saúde (IBES) publicou um documento intitulado Práticas Padrão Ouro de Assistência ao Paciente com Alergia ao Látex.

Nos sentimos no dever de reproduzir, na íntegra, todas as informações contidas no PDF que você também pode baixar neste link: Padrão Ouro Livre de Latex.

Confira:

PPO IBES 003 – Práticas Padrão Ouro de Assistência ao Paciente com Alergia a Látex

JUSTIFICATIVA

Alergia ao látex é qualquer reação imunomediada à proteína do látex, associada a sintomas clínicos. Profissionais de saúde devem estar aptos a identificar os grupos de risco e proporcionar condições adequadas para a prevenção e o tratamento seguro, frente às reações graves que podem trazer risco de vida.

APLICABILIDADE

Os profissionais de saúde atuantes em quaisquer tipos de serviços de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios, serviços de imagem, entre outros).

ALERGIA AO LÁTEX – DEFINIÇÃO

A sensibilização pelo látex ocorre quando há contato repetitivo, estimando-se ser necessária uma exposição de seis meses a quinze anos para o seu desenvolvimento. É causa importante de alergia ocupacional e reações alérgicas em indivíduos
sensibilizados.

Pode manifestar-se como eczema, urticária, simples rinite ou conjuntivite, angioedema, asma e até choque anafilático.

Pacientes considerados como grupo de risco são aqueles que apresentam:

  1. História de anafilaxia ao látex ou teste de reação ao látex positivo.
  2. História de alergia/sensibilidade ao látex, com referência aos seguintes sinais e sintomas:
    – prurido, edema ou vermelhidão após contato.
    – edema de lábios ou língua após tratamento odontológico ou por assoprar balões de borracha.
  3. Pacientes sem história de alergia ou sensibilidade, mas pertencentes ao grupo de risco:
    – com espinha bífida / anormalidades urogenitais congênitas ou adquiridas, que necessitem cateterizações vesicais freqüentes.
    – profissionais de saúde ou trabalhadores de indústria que manuseiam látex.
    – pacientes submetidos a múltiplos procedimentos cirúrgicos.
    – pacientes atópicos, com alergias múltiplas (abacate, abacaxi, banana, castanha, kiwi, nozes, morango, uva, maracujá, pêssego, damasco, manga, banana, tomate, batata).

PRÁTICAS PARA A ASSISTÊNCIA AO PACIENTE COM ALERGIA AO LÁTEX NO AMBIENTE DE SAÚDE

  1. Capacite todos os profissionais de saúde da sua instituição para o reconhecimento dos pacientes do grupo de risco.
  2. Crie sistemática de identificação do paciente alérgico ao látex, visando proteger o paciente de exposição a materiais que contenham látex. A identificação deve ser feita tanto no paciente (por exemplo, uso de pulseira de alerta: “Alergia ao Látex”), quanto em todos os documentos do prontuário (prescrições, evoluções, etc), diariamente.
  3. Cuidados devem ser prestados de forma a envolver o mínimo de pessoal possível. Profissionais envolvidos no atendimento ao paciente do grupo de risco, deverão ser orientados a seguir o protocolo: médicos, enfermagem, equipe multiprofissional, equipe de higiene, voluntários, e serviços de apoio (Radiologia, Laboratório, etc).
  4. Cirurgia eletiva do paciente de risco deve ser agendada no primeiro horário, quando se encontram os mais baixos níveis de antígenos dispersos no ar, diminuindo a exposição às proteínas do látex. Se não for no primeiro horário, a sala
    cirúrgica deve permanecer parada por 2 horas e 30 minutos.
  5. No Centro Cirúrgico:
    – membros da equipe: devem mudar trajes e lavar as mãos antes de entrar na sala de cirurgia “livre de latex”;
    – restrinja o fluxo de pessoas: a mesma equipe deve ser mantida durante toda a duração do procedimento cirúrgico;
    – manter pessoal disponível para coletar e entregar qualquer equipamento adicional para o procedimento;
  6. Afixar alertas de “Alergia ao látex” nas áreas de permanência do paciente (salas de cirurgia – dentro e fora, recuperação anestésica, quarto – cabeceira e parte da frente da cama.
  7. Disponibilizar caixas de luvas sem látex em todas as áreas: devem ser verificadas na admissão, colocadas ao lado da cama do paciente e utilizadas durante a internação.
  8. Qualquer item ou equipamento a ser utilizado sobre ou perto do paciente precisa ser verificado sobre o conteúdo de látex antes do uso.
  9. Padronizar materiais “isentos de látex”. Tal identificação deve constar na embalagem.
  10. Outros cuidados que devem ser tomados no atendimento o paciente:
    – Colchonetes e braçadeiras, não identificados como “isentos de latex”, devem ser cobertos com lençol de algodão;
    – Equipamentos de ressuscitação: isentos de látex.
    – Balões de latex: proibidos nas áreas pediátricas;
    – Carrinhos de reanimação devem ter luvas, circuitos, máscaras e catéteres sem látex;
    – Tegaderm®, Micropore® e gesso Sleek ® são livres de látex e podem ser usados;
    – O estetoscópio deve ser livre de látex (ex: Littman ® contém látex);
    – Se possível: não aspirar ou diluir medicamentos através das tampas dos frascos, não aspirar ou injetar pelos injetores das bolsas, não puncionar nos injetores laterais dos equipamentos.
    – Higiene e SND devem ser informados sobre pacientes com alergia a látex para garantir precauções ao limpar a área dos pacientes e servir comida (ex: luvas de vinil para preparação de alimentos e luvas livres de látex para limpeza).
  11. A equipe assistencial deve estar preparada para manejar uma reação alérgica aguda.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SITES DE INTERESSE

  1. http://www.sbai.org.br/revistas/Vol335/alergia_33_5.pdf
  2. http://formsus.datasus.gov.br/novoimgarq/16061/2404714_218117.pdf
  3. http://www.saj.med.br/uploaded/File/novos_artigos/106%20-%20Anestesia%20e%20as%20Novas%20Fronteiras%20da%20Alergia.pdf
  4. http://www.rch.org.au/rchcpg/hospital_clinical_guideline_index/Latex_management_of_a_patient_at_risk_of_or_with_a_known_latex_allergy/
  5. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0034-70942003000100012&script=sci_arttext

CONTRIBUIÇÕES

– Eliana Maria Pereira Castiglioni
Enfermeira pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Especialização em Enfermagem Obstétrica pela UNIFESP. Especialização em Hospitalar pelo IPH. Especialização em Enfermagem em Centro Cirúrgico pela Universidade de Guarulhos
(UNG). Título de especialista em Gerenciamento em Enfermagem, pela Sociedade Brasileira de Gerenciamento em Enfermagem (Sobragen). Avaliadora-Líder ONA/IBES.

 

 

Semana de Conscientização sobre Alergia ao Látex – Lançamento do Folder

 

Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA.
Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA. Capa e contracapa.
Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA.
Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA. Parte interna.

“Na  Semana de Concientización Sobre Alergia al Látex, desde a Asociación Argentina de Alergia al Látex, queremos compartilhar com todos o tríptico que faz parte da nossa Campaña de Prevención de Alergia al Látex.

Do ponto de vista da inocuidad alimentaria, tem sido um longo e belo trabalho em conjunto com o nosso querido designer gráfico Gustavo García Melieni. Uma vez terminado, pedimos a ajuda da Daisy Fortes, diretora da Síndrome Látex Alimentos – SLA para traduzi-la ao português, assim como o apoio da RED Inmunos (Associação Argentina de Alergia a Alimentos) já que muitos de seus associados sofrem de alergias alimentares que podem provocar reações cruzadas com o látex.

Aqui estão as duas versões para a América Latina. Esperamos que sejam uma ferramenta educacional útil e esclarecedora, que os ajude a fazer as mudanças necessárias para prevenir esta patologia e oferecer alimentos seguros.

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Lavanderia SLA

Cuidados básicos para roupas e calçados de pacientes com Síndrome Látex Alimentos –
SLA.

  • Alérgicos ao látex não podem usar roupas com elásticos, atenção aos lençóis, meias,
    roupa íntima, blusas de malha (podem ter fio elástico misturado), spandex (o
    spandex em si não contém látex, mas são permitidas misturas de até 5% sem a
    descrição na etiqueta), calçados e outros.
  • Roupas das demais pessoas na casa que contenham elásticos devem ser lavadas
    separadamente e serem mantidas o mais distante possível do alérgico, portanto, se o alérgico é criança, os pais devem ter muito cuidado com suas roupas também,
    lembrem que não é apenas onde está o elástico que há perigo, todo tecido estará
    contaminado.
  • Muitos alérgicos ao látex reagem aos aromas, procurem usar sabões mais neutros,
    ideal se sem nenhuma fragrância adicionada, e evite especialmente sabões em pó e
    amaciantes. Utilizo base para sabão líquido diluída apenas em água, sem corantes
    nem aromas, mas alguns alérgicos ao látex usam sabões comerciais neutros sem
    reações alérgicas. Vinagre de álcool e bicarbonato são bons aliados.
  • Fique atento à localização do seu varal para que não haja contaminação do
    ambiente.
  • É aconselhável que as roupas com que as pessoas da casa venham da rua não sejam
    usadas dentro de casa.
  • Alguns tingimentos também podem causar reações.
  • Tecidos muito sintéticos podem favorecer dermatites pela dificuldade da
    transpiração, nem tudo é reação.
  • Há vários relatos de pessoas que reagem também ao algodão natural, cru como
    alguns chamam.
  • Calçados com sola de borracha natural devem ser excluídos, e nos demais é preciso
    estar atento às colas de palmilhas e óleo adicionados aos materiais sintéticos que
    podem conter látex, portanto se reagir mesmo que não perceba onde o látex está,
    evite.
  • Roupas novas devem ser muito bem lavadas antes de serem usadas devido às
    contaminações na fabricação, transporte e estocagem.
  • Sapatos usados na rua não devem ser usados dentro de casa.
  • Muita atenção com roupas contaminadas pelo pó de luvas e balões de látex. Se o
    alérgico ou algum familiar for exposto ao pó de látex, toda roupa deve ser
    imediatamente muito bem lavada, ainda que não haja contato direto. O pó liberado
    no ambiente se propaga como pólen e impregna como óleo de castanhas, podendo
    causar reações graves mesmo após vários dias.

4 informações importantes sobre alergia ao látex

Estamos começando mais uma Semana Mundial de Conscientização sobre Alergias, e o tema deste ano faz a pergunta: “Você sabia que a alergia ao látex é uma das maiores causas de anafilaxias?”

Para aproveitar o embalo, aí vão 4 perguntas importantes – e suas respectivas respostas – sobre alergia ao látex e Síndrome Látex Alimentos.

1. Você sabia que alergia ao látex é uma das maiores causas de anafilaxias?

Você sabia que alergia ao látex é uma das maiores causas de anafilaxias?

A anafilaxia é uma reação geralmente alérgica grave, com risco de vida ou sequelas. As alergias, bem como as anafilaxias, podem surgir em qualquer momento da vida.

A alergia ao látex é a 2° maior causa de anafilaxias em salas de cirurgias no mundo e uma das maiores causa de anafilaxias em geral.

2. Você conhece os sintomas de anafilaxia?

Você conhece os sintomas de anafilaxia?

A anafilaxia ocorre quando dois ou mais sistemas do corpo entram em colapso, sendo um deles respiratório ou vascular. A anafilaxia pode iniciar por reações na pele, gastrointestinais, edema de glote ou outros.

 

03. Você sabe qual a primeira atitude que deve ser tomada para salvar uma pessoa de anafilaxia?

sla-semana1

Pessoas em crise anafilática devem receber adrenalina imediatamente.

A forma mais segura de injetar adrenalina é com o uso de auto injetor de adrenalina, o que não temos no Brasil, por isso pessoas com risco de anafilaxia precisam importar ou utilizar adrenalina injetável, cujo manuseio é extremamente delicado.

 

4. Você sabia que alérgicos ao látex reagem à inalação dele?

Você sabia que alérgicos ao látex reagem à inalação dele?

Alérgicos ao látex podem ter anafilaxia com uma única molécula de látex no ambiente ou nos alimentos, exigindo cuidados extremos especialmente em ambientes de saúde.

A substituição das luvas de látex pelas de nitrila ou vinil para uso em saúde ou alimentação, bem como a extinção dos balões (bexigas) de látex são fundamentais para segurança dos alérgicos e para evitar novos casos controlando a crescente epidemia.

 

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Descobri que sou alérgica ao látex e a diversos alimentos, e agora?

Daisy com máscara de proteção
Foto do rosto da Daisy (cabelos escuros e curtos até os ombros e olhos castanhos), usando uma máscara de proteção na cor rosa, cobrindo seu nariz e boca.

A grande maioria das pessoas não sabe exatamente quais são as consequências das alergias mais graves. O diagnóstico de alergia, especialmente quando envolve risco de asma e/ou anafilaxia, não é fácil, e algumas pessoas passam muitos anos com problemas de saúde diversos sem conseguirem ligar isso à causa.

Mas a cada dia, mais pessoas vêm sendo diagnosticadas. Os dados mundiais apontam o crescimento de alergias, especialmente alimentares, e com o diagnóstico vem também toda uma nova realidade, seja de tratamentos ou em casos como da Síndrome Látex Alimentos – SLA para os quais não há tratamento ou cura, muitas exclusões.

Por onde começo?

Bem, se você reage apenas ao látex em si, comece eliminando tudo de mais óbvio de seu contato ou inalação como luvas e balões, e passe a analisar absolutamente todo seu dia a dia. Acredite, anos depois você ainda estará percebendo coisas em que o látex está escondido a sua volta.

Roupas íntimas, calçados, travesseiros, colchões, eletrodomésticos, botões de controle remoto, creme dental (goma xantana), escova de cabelo, secadores, ar condicionado, e a lista pode chegar a cerca de 300 mil produtos. Então você terá de ficar atento e aos poucos vai percebendo e descobrindo alternativas para o que há (algumas coisas como o secador de cabelos nunca descobri alternativa). O que não tiver como excluir – mas pode ser isolado do contato e da inalação, como controles remotos – pode ser revestido com filme plástico.

E o que não posso comer?

Bem, a maior dificuldade na SLA ainda é a identificação da dieta de cada um, pois não há um grupo específico de alimentos a serem evitados. Cada pessoa tem as chamadas reações cruzadas, quando o organismo do alérgico se confunde e reage também a alimentos que contenham as mesmas proteínas do látex ou proteínas semelhantes. Sabe-se, também, que não há exames com 100% de precisão para diagnóstico de alergias, que costuma se confirmar pela avaliação clínica. Portanto, a única maneira eficaz de chegarmos a uma dieta segura é a DIETA DE EXCLUSÃO com REINTRODUÇÃO CAUTELOSA dos alimentos, um a um, de preferência com apoio e acompanhamento de seu alergologista, nutricionista e demais profissionais que possam lhe orientar.

É importante estabelecer uma dieta o mais restrita possível até que se estabilize por ao menos 21 dias para começar as tentativas de reintrodução. Alguns reagem até ao iodo do sal, então nada de muitos condimentos ou temperos, pois eles podem ser os vilões.

Evite os alimentos de maior risco como banana, abacate, papaia, castanhas, azeitonas, frutas cítricas e mandioca. Comece tentando pelos menos descritos com relação com látex. De acordo com sua sensibilidade, teste primeiramente passando parte dos alimentos nos lábios, cozinhando bem, ou diluindo com bastante água, aumentando as quantidades ou a ingestão conforme tolerância. Caso haja reação, espere no mínimo 2 a 3 semanas para tentar outro alimento, dando tempo para seu sistema imune se refazer da reação.

Tenha sempre as medicações prescritas por seu médico. As crises podem surgir a qualquer momento e uma vez que você tem conduta, quanto antes iniciar menor serão as reações. Não espere a crise evoluir, algumas pessoas não possuem reações imediatas e elas podem evoluir em minutos, horas ou mesmo dias.

As reações podem, também, se darem pelas medicações, e neste caso é um pouco mais difícil identificar, pois o medicamento faz seu efeito chegando a haver melhora, porém a crise volta em seguida ou se mantém. É necessário pesquisar possíveis contaminações por látex na produção dos medicamentos e saber detalhadamente os componentes e excipientes, pois muitos deles causam reações cruzadas com o látex. Se você tem um farmacêutico de confiança que possa manipular medicamentos em ambiente livre de látex, conferir a origem das substâncias e usar apenas celulose microcristalina como excipiente, isso pode ajudar muito.

Aprenda a se perceber. Com o tempo você começa a identificar quando as reações são por algo que você ingeriu, inalou ou tocou. Esteja atento, isso pode causar confusões e exclusões desnecessárias da dieta, pois muitos de nós são muitos sensíveis a qualquer molécula dos alérgenos, que podem estar nos ambientes ou nas pessoas que nos rodeiam.

É muito comum entre pessoas com SLA a reação às fragrâncias. Óleo de laranja e outros cítricos são usados como fixadores em cosméticos, perfumes, produtos de limpeza entre outros, e são feitos para serem voláteis, o que para os mais sensíveis pode levar a crises inclusive gastrointestinais muitas vezes atribuídas a ingestão de alimentos.

Saiba que é possível sim estabilizar sem depender do uso constante de medicamentos, e essa é a única maneira de controlar a SLA, pois a cada contato com alérgenos o sistema imune se arma mais e a sensibilidade aumenta, então como temos muito a evitar, se torna impossível na prática evitar o aumento da sensibilização, mas podemos melhorar muito a qualidade de vida e evitar uma piora com maiores proporções.

Para saber mais, acompanhe nosso blog e nossa página no Facebook.

Até mais!

Rotulagem do látex em produtos de saúde (RDC 37/2015)

Imagem de uma mãe lendo o rótulo da embalagem de um produto na frente de uma prateleira de um supermercado, enquanto sua filha tenta alcançar o produto com sua mão direita.
Imagem de uma mãe lendo o rótulo da embalagem de um produto na frente de uma prateleira de um supermercado, enquanto sua filha tenta alcançar o produto com sua mão direita.

A partir de 26 de agosto de 2016, entra em vigor a RDC 37/15, que estabelece o uso de frases padronizadas para declaração em rótulos de dispositivos médicos que contenham em sua composição a presença de látex de borracha natural.

Portanto, materiais para qualquer uso em saúde e mesmo em estética, fabricados à partir de 27 de agosto de 2016, deverão declarar a presença de látex em destaque, bem como não poderão mais ser considerados hipoalergênicos.

Esperamos que esta RDC passe a ser seguida por todos, o que não vem acontecendo com a RDC 26/15 quanto aos alimentos, nos quais ainda é raro encontrarmos a rotulagem adequada.

A exclusão do látex de ambientes hospitalares e alimentícios é uma tendência mundial que tem se expandido através da conscientização dos perigos do látex para saúde de todos, pois até o momento não há cura para Síndrome Látex Alimentos – SLA, sendo a prevenção e manutenção e conduta de exclusão as únicas alternativas para estancar esta epidemia e garantir seguridade as pessoas que já desenvolveram a SLA.

Lembramos que é fundamental que a população se mobilize para fiscalizar o cumprimento destas normas. Leia os rótulos, questione os profissionais que os estão utilizando, fale com SAC, contribua com sua parte para um mundo amis saudável.

 

Confira o texto completo da RDC 37/2016:

RESOLUÇÃO RDC No- 37, DE 26 DE AGOSTO DE 2015
Dispõe sobre a padronização de frases de declaração de conteúdo de látex de borracha natural em rótulos de dispositivos médicos.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lhe confere os incisos III e IV, do art. 15 da Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, o inciso V e §§ 1º e 3º do art. 58 do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 29, de 21 de julho de 2015, publicada no D.O.U. de 23 de julho de 2015, tendo em vista o disposto nos incisos III, do art. 2º, III e IV, do art. 7º da Lei nº 9.782, de 1999, e o Programa de Melhoria do Processo de Regulamentação da Agência, instituído por meio da Portaria nº 422, de 16 de abril de 2008, e conforme deliberado em reunião realizada em 20 de agosto de 2015, adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação:

Art. 1º Este Regulamento estabelece frases padronizadas para declaração em rótulos de dispositivos médicos que contenham em sua composição a presença de látex de borracha natural.

Art. 2º Este Regulamento se aplica aos dispositivos médicos definidos a seguir:
I – Produto Médico: produto para a saúde, tais como equipamento, aparelho, material, artigo ou sistema de uso ou aplicação médica, odontológica, laboratorial ou estética, destinado à prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação ou anticoncepção e que não utiliza meio farmacológico, imunológico ou metabólico para realizar sua principal função em seres humanos, podendo, entretanto, ser auxiliado em suas funções por tais meios;
II – Produto para diagnóstico in vitro: reagentes, calibradores, padrões, controles, coletores de amostra, materiais e instrumentos, usados individualmente ou em combinação, com intenção de uso determinada pelo fabricante, para análise in vitro de amostras derivadas do corpo humano, exclusivamente ou principalmente para prover informações com propósitos de diagnóstico, monitoramento, triagem ou para determinar a compatibilidade com potenciais receptores de sangue, tecidos e órgãos.

Art. 3º Nos rótulos dos dispositivos médicos cuja composição contenha látex de borracha natural deve constar a seguinte frase padrão em destaque: “CONTÉM LÁTEX NATURAL. PODE CAUSAR ALERGIA”.
§ 1º Fica proibido o uso da expressão “hipoalergênico” nos rótulos destes dispositivos médicos.
§ 2º É facultado o uso da frase disposta no art. 17 da Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA – RDC nº 55, de 4 de novembro de 2011 para as luvas cirúrgicas e luvas para procedimentos não cirúrgicos de borracha natural, de borracha sintética, de mistura de borrachas natural e sintética e de policloreto de vinila, sob regime de vigilância sanitária.

Art. 4º É admissível, em substituição à frase “CONTÉM LÁTEX NATURAL”, a utilização do símbolo identificando a presença de látex de borracha natural, conforme norma técnica ABNT NBR ISO 15223-1:2013 – Produtos para a saúde – Símbolos a serem utilizados em rótulos, rotulagem e informações a serem fornecidas de produtos para saúde – Parte 1: Requisitos gerais; ou norma técnica que vier a substituí-la.

Parágrafo único: Nos rótulos de dispositivos médicos que apresentarem símbolo identificando a presença de látex de borracha natural, deverá constar, próximo ao símbolo, a seguinte frase padrão:
“PODE CAUSAR ALERGIA”.

Art. 5° Os rótulos dos produtos abrangidos por esta Resolução devem ser adequados no prazo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias contados a partir da data de sua publicação.

Art. 6º Os produtos fabricados antes da vigência deste regulamento ou durante o período de adequação indicado no Art. 5º deste regulamento podem ser comercializados e utilizados até a sua data de validade.

Art. 7º O descumprimento das disposições contidas nesta Resolução constitui infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.

Art. 8º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

JARBAS BARBOSA DA SILVA JR.

Contaminação de alimentos por látex

O látex, a borracha natural, é extraído da seiva de diversas árvores, mas mais comumente da seringueira, e é composto de 14 proteínas.

Algumas pessoas desenvolvem alergias a estas proteínas, alguns a todas, outros somente à algumas delas, e a partir daí o organismo passa a entender toda proteína semelhante como agressor e reagir cada vez mais, sendo necessário o uso de medicamentos para controle dos sintomas e levando à exclusão de tudo que contenha estas proteínas para se obter qualidade de vida.

Esta alergia adquirida, chamada Síndrome Látex Alimentos – SLA, pode ocorrer com qualquer pessoa, em qualquer idade, sendo que o excesso de exposição ao látex é o fator mais decisivo. Diante disso, muitas pessoas pensam estarem a salvos pois não imaginam que em sua rotina possam estar tendo contatos diários e excessivos com látex.

Em texto anterior, citei ligeiramente locais onde encontramos o látex, mas o contato mais agressivo ao nosso organismo merece uma atenção especial.

As duas piores formas para o contato são pela inalação, o que só conseguiremos resolver proibindo o uso de balões festivos (bexigas) em locais públicos – pois eles contaminam cerca de 500m² em sua volta, com essas proteínas suspensas sendo inaladas – e também excluindo o uso de luvas de látex nos hospitais, em odontologia e nas indústrias com manuseio de alimentos, onde está também a segunda forma mais agressiva de contato, a ingestão das proteínas do látex associadas aos alimentos.

Foto tirada de baixo para cima, de inúmeros balões coloridos voando em direção ao céu.
Foto tirada de baixo para cima, de inúmeros balões coloridos voando em direção ao céu.

Talvez você nunca tenha se dado conta, mas em diversas fábricas, restaurantes, lancherias, cafés, no supermercado, na peixaria… olhe em volta, pesquise. Muitos estão contaminando sua comida com látex, o que faz de todos nós potenciais pacientes da SLA e, aos pacientes já sensibilizados, oferece risco de reações graves que podem ser fatais.

Em 2006, testes financiados pela britânica Food Standards Agency (FSA) em 21 tipos de embalagens mostraram que um terço dos alimentos destas embalagens estavam contaminados por látex. Estas descobertas levaram a novas regras de rotulagem para garantir que os consumidores estejam conscientes do uso de látex nas embalagens em toda a Europa. Nesta pesquisa, os cientistas encontraram em um biscoito de chocolate a quantidade de látex quase 20 vezes maior que o nível que poderia levar um paciente sensibilizado a anafilaxia com risco de óbito. Atualmente, diversos países da Europa excluíram o látex.

Foto em que aparecem mãos vestidas com luvas de látex preparando um sanduíche, com fatias de tomate e presunto cortadas sobre uma tábua de plástico.
Foto em que aparecem mãos vestidas com luvas de látex preparando um sanduíche, com fatias de tomate e presunto cortadas sobre uma tábua de plástico.

Nos Estados Unidos, onde os dados revelam cerca de 3 milhões de pessoas com alergia ao látex, em 2015 diversos estados proibiram o uso das luvas de látex em hospitais, odontologia e indústrias de manuseio de alimentos, a exemplo do Hawaii.

No Brasil, a partir de junho será obrigatório rotular a presença de látex em qualquer quantidade de contaminação nos alimentos. Em medicamentos e em materiais hospitalares a obrigatoriedade começa a partir de agosto. Mas apenas seremos avisados que ele está lá, e muito temos a lutar ainda pela conscientização de que somente banindo o uso de luvas e balões festivos estaremos mais seguros quanto a SLA, que até o momento não apresenta nenhum caso de cura no mundo todo.

 

Referências:

Beezhold DH, Kostyal DA, Wiseman JS. A transferência de proteína alérgenos de luvas de látex. Um estudo de fatores que influenciam. AORN 59: 605-614, 1994
Beezhold D, Reschke J, Allen J, Kostyal D, proteína G. Latex Sussman: Um alérgeno alimentar escondido? Allergy Asthma Proceedings 21: 301-306, 2000.
Bernardini R, Novembre E, Lombardi E, Pucci N, Marcucci F, Vierucci A.
Anafilaxia ao látex após a ingestão de um donut cheio de creme contaminado com látex. J Allergy Clin Immunol. 2002 setembro; 110 (3): 534-5.
Pesquisa publicada na Chemistry & Industry , a revista para a Sociedade da Indústria Química.

Semana Mundial de Alergia 2016

De 04 a 10 de abril de 2016 acontece a Semana Mundial de Alergia.

No mundo inteiro é crescente a descoberta de novos casos como de novos fatores que contribuem para essa epidemia do mundo atual, e neste ano o destaque da World Allergy Organization é: Alergias ao pólen- Adaptação às alterações climáticas.

Folder da Semana Mundial da Alergia 2016.
Foto de uma criança assoprando uma flor “dente-de-leão”, com o logotipo da SLA aplicado no canto superior direito e o texto “Semana Mundial da Alergia 2016 – 4 a 10 de Abril” aplicado ao centro da imagem.

A Associação de Pacientes com Síndrome Látex Alimentos – APSLA está participando ativamente no intuito de contribuir para maior número de diagnósticos que possibilitem melhor conduta e qualidade de vida para os alérgicos ao látex e alimentos.

Embora pouco conhecida, a alergia ao látex com reações cruzadas com alimentos não é rara e qualquer pessoa pode desenvolver, pois ela é adquirida pela exposição ao látex, o que é comum em nosso cotidiano, tendo números alarmantes de casos entre profissionais de saúde, odontologia, crianças com exposição precoce as luvas, e profissionais das indústrias de alimentos que muitas vezes utilizam látex, contaminando também o alimento de todos nós.

A alergia ao látex não tem cura até o momento e a única maneira de evita-la ou se manter seguro em caso de sensibilização é a exclusão do látex e dos alimentos que a pessoa também reage. A utilização de luvas de látex em ambientes de saúde, o manuseio de alimentos e medicamentos por luvas de látex e o uso de balões festivos de látex em locais públicos são fatores que podem significar risco de vida para pessoas com a Síndrome Látex Alimentos – SLA, pois assim como o pólen suas partículas ficam suspensas no ar e inaladas provocam reações graves pelo contato direto com as mucosas.

 

Daisy Fortes
Presidente da Associação de Pacientes com Síndrome Látex Alimentos – APSLA