Biscoitos de Cacau

Precisamos falar sobre essas belezinhas que são os biscoitos de Cacau!
Saborosos e simples de fazer.

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Bater na panificadora:

  • 1 copo de água,
  • 1 pitada de sal,
  • 3 colheres de sopa de óleo de coco,
  • 1 xícara de açúcar,
  • 3 xícaras de farinha de trigo,
  • 1 xícara de cacau,
  • 1 colher de chá de bicarbonato e
  • 1 colher de sopa de vinagre vertido sobre o bicarbonato por cima da farinha ainda seca.

 

Para assar

Abrir com rolo ou cilindro e cortar. Assar em forno pré aquecido à 280° por cerca de 10 minutos.

Voilá!

 

Como acontece

Entro em algum ambiente aparentemente livre de látex ou alimentos – ou pessoas chegam à minha casa – e tudo parece agradável Tudo inicia muito rápido ou, em algumas ocasiões, horas depois.

Às vezes sinto apenas sono incontrolável. Outras vezes começa com diarreia intensa.
Na maioria das vezes, meu coração dispara. Um rubor agonizante toma conta de meu rosto, olhos, garganta, enquanto os ouvidos incham instantaneamente e doem.

Tem vezes que começa logo por broncoespasmos e o pulmão ameaça parar de repente. De comum em todas as maneiras que inicia é a sensação eminente da morte. A energia vital parece escorrer de mim e resta apenas agonia.

Em alguns instantes, alguém terá de perceber e me salvar injetando adrenalina. Deveria ter comigo adrenalina auto injetável, mas esta infelizmente não está disponível no Brasil e não posso custear a importação, pois são inúmeras às vezes em que preciso. Então resta a sorte de estar com alguém que saiba o que e como fazer, dosar a adrenalina da ampola na dose certa e aplicar com agilidade, sem hesitar.

Feito isso, em instantes volto a raciocinar e respirar, porém todo impacto da crise levará 21 dias para passar. Durante este período, muita medicação ainda será necessária, muitos cuidados para que as inflamações das mucosas não evoluam para pneumonia ou outros, muita dor – especialmente da cabeça e ocular – terá de ser suportada.

Do que estou falando? ANAFILAXIA.

Quem nunca sentiu ou presenciou talvez tenha ouvido falar em anafilaxia ou em choque anafilático e relacione com reações a anestesias e medicamentos. Mas ela pode ocorrer por diversos motivos, em geral, uma grave reação alérgica.

Por definição, anafilaxia ocorre quando dois ou mais sistemas do organismo, sendo um deles respiratório ou vascular, entram em colapso. Pessoas alérgicas ou com doenças auto imunes podem iniciar o quadro de anafilaxia por diferentes motivos e diferentes sintomas. No caso das pessoas com Síndrome Látex Alimentos – SLA, pode ocorrer apenas por estar no mesmo ambiente que produtos de látex – especialmente as luvas e balões que liberam partículas muito voláteis no ar e que inaladas vão direto aos pulmões – como também por ingerir ou estar no mesmo ambiente de diversos alimentos, perfumes, tintas e muitos outros, dependendo da sensibilização de cada um.

Mas o importante aqui é dizer mais do que como acontece, é dizer que ANAFILAXIA PODE DEIXAR SEQUELAS E ATÉ LEVAR A MORTE. Não são simples sensações, são sintomas graves, urgência médica e devido ao grande aumento de casos de pessoas alérgicas em todo mundo, temos cada vez mais notícias de pessoas que morrem por anafilaxia.

Aquele conhecido que você ouviu falar que morreu por picada de abelha, aquele outro que passou muito mal quando precisou anestesia, tem aquele também que quase morreu ao comer camarão… todos eles sofreram anafilaxia.

Seja solidário e evite expor as pessoas a coisas que podem causar tanto sofrimento. É importante evitar balões de látex em festas, luvas de látex em seu trabalho ou ambiente familiar, não oferecer alimentos às crianças sem a permissão dos pais. Pense no próximo como em você, afinal, alergias podem ser adquiridas em qualquer momento da vida, ninguém está livre.

Como acontece o choque anafilático

Nhoque de Moranga Capotiá

Receita tradicional italiana muito apreciada no sul do Brasil, o nhoque começou sendo feito de restos de pães ralados, misturados com farinha de trigo – que era um ingrediente escasso – para ser servido aos pobres durante a guerra.

Mais tarde foi se transformando e passou a ser feito e admirado por sua receita com batatas cozidas, cuja lenda diz que, se consumido aos dias 29 com certo ritual, traz fartura.

“Dizem que, num certo dia 29, São Pantaleão chegou a um vilarejo e pediu comida a uma família pobre. O anfitrião dividiu a parca refeição com o santo e cada pessoa comeu apenas sete bolinhas de nhoque. Após as despedidas, os donos da casa encontraram moedas de ouro sob os pratos – daí nasceu o costume de se colocar uma nota ou moeda embaixo do prato de nhoque no dia 29, para atrair fortuna. Os fatos históricos, que pena, tiram um pouco do encanto da simpatia. São Pantaleão viveu entre os séculos III e IV, muito antes, portanto, de o próprio nhoque ter sido inventado. Seja como for, a história é bonita.”

Mas a fartura do nhoque está mesmo na textura e no sabor, que nesta receita com moranga capotiá, são ainda mais intensos e coloridos, ideais para todos os tipos de molhos.

Muito fácil de ser feito, pode ser uma boa atividade em família, afinal, colocar a mão na massa é sempre um prazer. Então bora se enfarinhar!

Foto dos nhoques já enrolados e enfarinhado dentro de formas de metal.
Foto dos nhoques já enrolados e enfarinhado dentro de formas de metal.

Receita:

  • ½ moranga capotiá cozida por 10 minutos ou mais no microondas (o tempo varia de acordo com tamanho e maturação da moranga, o importante é que ela fique um purê bem cozido e homogêneo);
  • 1 a 1 e ½ xícaras de farinha de trigo (pode também ser feito com farinha de arroz)
  • 1 colher de chá de vinagre de álcool natural;
  • Sal a gosto.

Preparo:

Em uma vasilha, coloque a moranga cozida, o sal e o vinagre e adicione farinha aos poucos, sovando.

Quando a mistura desprender facilmente da mão, sem estar pegajosa, largue sobre superfície enfarinhada e sove mais um pouco. Não adicione muita farinha à massa, apenas o suficiente para enrolar sem grudar.

Corte a massa com uma faca em porções pequenas e faça rolinhos com as mãos contra a superfície, cortando posteriormente os nhoques no tamanho desejado. Se preferir, você também pode usar a nhoqueira.

Os nhoques não devem ficar muito grandes, pois assim o interior não irá cozinhar de forma uniforme.

Polvilhe um pouco de farinha neles cortados para não se grudarem durante o cozimento.

Podem ser cozidos diretamente em água fervendo ou congelados por até 3 meses (neste caso devem ser colocados ainda congelados para cozinhar).

Cozinhar por poucos minutos, em fogo alto, até que todos flutuem. Depois é só escorrer.

Conforme mencionado, ele combina com qualquer molho, mas o tradicional é aquele guisado caseiro que cada casa tem o seu tempero.

Foto do nhoque pronto para servir, com molho de guisado caseiro.
Foto do nhoque pronto para servir, com molho de guisado caseiro.

 

Fonte da história do Nhoque: Revista Casa e Jardim

Doce de Moranga com Pimenta

Mais uma receitinha de dar água na boca.
Confira abaixo como fazer esse doce que é simplesmente uma delícia!

Doce de moranga com pimenta
Foto do doce de moranga com pimenta

Ingredientes:

  • 1 xícara de purê de moranga capotiá (cerca de meia moranga pequena cozinha em água ou no microondas);
  • 1 xícara de leite de coco caseiro;
  • 1 xícara de açúcar mascavo;
  • 1 colher de sobremesa de vinagre de álcool natural;
  • 3 pimentas dedo de moça.

Modo de preparo:

Bata no liquidificador o purê de moranga, o leite de coco e o açúcar e reserve.

Corte as pimentas ao meio e, em seguida, fatie as metades em fatias bem fininhas. Se você gosta de sabores um pouco mais picantes, mantenha as sementes, senão, após cortar as pimentas ao meio, antes de fatiar, retire as sementes e a polpa branca. Aqui em casa a preferência é picante, então conservo as sementes e ainda coloco umas gotinhas de conserva de pimenta malaguetinha.

Foto de cima de dois potes de inox com as pimentas malagueta já separadas e prontas para serem cortadas.
Foto de cima de dois potes de inox com as pimentas malagueta já separadas e prontas para serem cortadas.

Coloque tudo em panela alta pois respinga, adicione o vinagre e leve ao fogo até engrossar e a quantidade diminuir pela metade.

Deixe esfriar e conserve em refrigerador. Esta delícia pode ser consumida pura, no pão ou mesmo como acompanhamento de carnes.

Foto em close do doce de moranga em um pote de vidro, com uma colher de cabo azul mergulhada e pronta para servir.
Foto em close do doce de moranga em um pote de vidro, com uma colher de cabo azul mergulhada e pronta para servir.

Bolo de cenoura sem ovos, sem leite e sem fermento

Receita produzida em 2015, mas que ainda não tinha sido publicada aqui no blog. Super saudável e, o melhor de tudo, fica uma delícia. Confira:

Bolo de cenoura, ainda sem cobertura.
Foto do bolo de cenoura já assado, ainda sem cobertura, sobre um prato de vidro transparente.

Massa:

  • 3 cenouras cozidas
  • 1 xícara de açúcar
  • 2 xícaras de farinha de trigo
  • 1 colher de sobremesa rasa de bicarbonato
  • 1 colher de sopa de vinagre de álcool
  • ½ xícara de óleo de coco extra virgem
  • +ou- 1 xícara da água do cozimento das cenouras ou de kefir de água.

Preparo:

  • Colocar no liquidificador as cenouras, o óleo de coco, o açúcar e a farinha. Sobre a farinha, colocar o bicarbonato e sobre ele o vinagre. Colocar a água ou kefir de água aos poucos batendo até formar mistura homogênea.
  • Assar em forno pré-aquecido médio por cerca de 30 minutos.

 

Cobertura:

  • 2 colheres de sopa de chocolate fragmentado Ouro Moreno
  • 2 colheres de sopa de açúcar mascavo
  • 2 colheres de sopa de óleo de coco extra virgem

Preparo

  • Levar ao microondas por 1 minuto em caneca alta, mexer bem e despejar sobre o bolo assado.

 

Bolo de cenoura pronto, com cobertura de chocolate.
Foto do bolo de cenoura já pronto, com a cobertura de chocolate aplicada e colocado sobre um prato de vidro transparente.

Torta Daisy

Após anos a procura da receita perfeita, com pouquíssimos ingredientes para uma deliciosa torta, eis a perfeição. 😀

Foto da Torta Daisy já montada, com cobertura de brigadeiro SLA, gotas de chocolate e coco, sobre um prato de vidro.
Foto da Torta Daisy já montada, com cobertura de brigadeiro SLA, gotas de chocolate e coco, sobre um prato de vidro.

A Torta Daisy foi desenvolvida a partir da dieta de restrição de grande maioria dos alimentos que a Síndrome Látex Alimentos – SLA me impõe, mas os admiradores dos meus dotes culinários insistem em dizer que é uma das melhores tortas que já comeram, e desafiados a descreverem os ingredientes secretos, nenhum deles chegou às origens.

Então vamos à receita…

Massa:

  • 2 xícaras de açúcar;
  • ½ xícara de óleo de coco;
  • 1 pitada de sal marinho;
  • 3 xícaras de farinha de trigo;
  • 1 colher de sobremesa de bicarbonato de sódio;
  • 2 colheres de sopa de vinagre de álcool natural;
  • 4 colheres de sopa de cacau puro(aqui só uso SOS Alergia);
  • Água morna (aproximadamente 1 xícara).

Em recipiente fundo, coloque o açúcar e o óleo de coco e mexa até ficar homogêneo.

Acrescente o sal, o açúcar e bata.

Acrescente a farinha, despejando sobre ela o bicarbonato e vertendo o vinagre sobre ele para “ferver”. Em seguida, misture suavemente.

Coloque o cacau e, aos poucos, a água morna, batendo até que a massa fique homogênea e deslize do fundo da bacia.

Asse em forma redonda untada à 180° por cerca de 45 minutos. Se tiver duas formas iguais pode dividir a massa, senão basta passar uma faca grande ao meio dela (após esfriar e desenformar), separando em 2 partes iguais.

Reserve.

Recheios*

1- Calda de coco queimado
Em uma panela, despeje 200g de coco queimado (faço com coco natural ralado, colocado alguns minutos no forno elétrico), 1 copo de água e 1 xícara de açúcar cristal. Mexer até quase ponto de fio.

Foto da calda de coco queimado dentro de um pote de vidro.
Foto da calda de coco queimado dentro de um pote de vidro.

2- Brigadeiro SLA
Veja a receita deste brigadeiro neste link.

Foto da massa da Torta Daisy, de coloração chocolate, sobre uma tábua de corte de vidro.
Foto da massa da Torta Daisy, de coloração chocolate, sobre uma tábua de corte de vidro.

3- Cocada mole
Em uma panela, coloque 300g de coco ralado natural, ½ xícara de leite de coco e 2 xícaras de açúcar. Mexa até engrossar bem, sem açucarar.

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4- Gotas de chocolate (SOS Alergia ou Ouro Moreno)

*Os recheios devem ser feitos no dia anterior, para esfriarem e gelarem bem, facilitando a montagem.

Montagem

Em prato de torta, coloque a primeira camada da massa e cubra com cerca de 80% da calda de coco queimado, reservando um pouco para cobertura.

Coloque uma espessa camada do Brigadeiro SLA, reservando a maior parte para cobertura, e sobre ele as gotas de chocolate.

Faça então, sobre o Brigadeiro, uma camada com a cocada.

Coloque a outra parte da massa e cubra ela com o restante da calda de coco queimado umedecendo a massa.

Em seguida, cubra toda torta com o restante do brigadeiro SLA e decore com coco ralado e gotas de chocolate.

Leve a geladeira por no mínimo 4 horas antes de servir.

Bom apetite!!!

 

Molho Picante de Cenoura

A dieta de pessoas com a Síndrome Látex Alimentos – SLA costuma ter restrições importantes, mas isso pode servir para despertarmos a criatividade (e dar uma apimentadinha no paladar).

Pensando em um sabor mais marcante que pode ser usado tanto em saladas como em molhos quentes de carnes e massas, surgiu essa receita deliciosa.

Ingredientes:

  • 04 cenouras cozidas
  • 04 colheres de sopa de vinagre de álcool natural
  • 01 colher de sobremesa de sal marinho
  • 01 colher de sopa de óleo de coco extra virgem
  • Pimenta à gosto

Modo de preparo:

Bata todos os ingredientes em liquidificador por cerca de 3 minutos.
Pode ser acrescentado mais vinagre para ficar mais picante ou um pouquinho de leite de coco para ficar mais suave.

Bom apetite!

Foto do molho feita de cima para baixo. Ele está servido em uma vasilha de vidro que está sobre uma superfície branca. Possui cor alaranjada e textura cremosa.
Foto do molho feita de cima para baixo. Ele está servido em uma vasilha de vidro que está sobre uma superfície branca. Possui cor alaranjada e textura cremosa.

4 informações importantes sobre alergia ao látex

Estamos começando mais uma Semana Mundial de Conscientização sobre Alergias, e o tema deste ano faz a pergunta: “Você sabia que a alergia ao látex é uma das maiores causas de anafilaxias?”

Para aproveitar o embalo, aí vão 4 perguntas importantes – e suas respectivas respostas – sobre alergia ao látex e Síndrome Látex Alimentos.

1. Você sabia que alergia ao látex é uma das maiores causas de anafilaxias?

Você sabia que alergia ao látex é uma das maiores causas de anafilaxias?

A anafilaxia é uma reação geralmente alérgica grave, com risco de vida ou sequelas. As alergias, bem como as anafilaxias, podem surgir em qualquer momento da vida.

A alergia ao látex é a 2° maior causa de anafilaxias em salas de cirurgias no mundo e uma das maiores causa de anafilaxias em geral.

2. Você conhece os sintomas de anafilaxia?

Você conhece os sintomas de anafilaxia?

A anafilaxia ocorre quando dois ou mais sistemas do corpo entram em colapso, sendo um deles respiratório ou vascular. A anafilaxia pode iniciar por reações na pele, gastrointestinais, edema de glote ou outros.

 

03. Você sabe qual a primeira atitude que deve ser tomada para salvar uma pessoa de anafilaxia?

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Pessoas em crise anafilática devem receber adrenalina imediatamente.

A forma mais segura de injetar adrenalina é com o uso de auto injetor de adrenalina, o que não temos no Brasil, por isso pessoas com risco de anafilaxia precisam importar ou utilizar adrenalina injetável, cujo manuseio é extremamente delicado.

 

4. Você sabia que alérgicos ao látex reagem à inalação dele?

Você sabia que alérgicos ao látex reagem à inalação dele?

Alérgicos ao látex podem ter anafilaxia com uma única molécula de látex no ambiente ou nos alimentos, exigindo cuidados extremos especialmente em ambientes de saúde.

A substituição das luvas de látex pelas de nitrila ou vinil para uso em saúde ou alimentação, bem como a extinção dos balões (bexigas) de látex são fundamentais para segurança dos alérgicos e para evitar novos casos controlando a crescente epidemia.

 

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Descobri que sou alérgica ao látex e a diversos alimentos, e agora?

Daisy com máscara de proteção
Foto do rosto da Daisy (cabelos escuros e curtos até os ombros e olhos castanhos), usando uma máscara de proteção na cor rosa, cobrindo seu nariz e boca.

A grande maioria das pessoas não sabe exatamente quais são as consequências das alergias mais graves. O diagnóstico de alergia, especialmente quando envolve risco de asma e/ou anafilaxia, não é fácil, e algumas pessoas passam muitos anos com problemas de saúde diversos sem conseguirem ligar isso à causa.

Mas a cada dia, mais pessoas vêm sendo diagnosticadas. Os dados mundiais apontam o crescimento de alergias, especialmente alimentares, e com o diagnóstico vem também toda uma nova realidade, seja de tratamentos ou em casos como da Síndrome Látex Alimentos – SLA para os quais não há tratamento ou cura, muitas exclusões.

Por onde começo?

Bem, se você reage apenas ao látex em si, comece eliminando tudo de mais óbvio de seu contato ou inalação como luvas e balões, e passe a analisar absolutamente todo seu dia a dia. Acredite, anos depois você ainda estará percebendo coisas em que o látex está escondido a sua volta.

Roupas íntimas, calçados, travesseiros, colchões, eletrodomésticos, botões de controle remoto, creme dental (goma xantana), escova de cabelo, secadores, ar condicionado, e a lista pode chegar a cerca de 300 mil produtos. Então você terá de ficar atento e aos poucos vai percebendo e descobrindo alternativas para o que há (algumas coisas como o secador de cabelos nunca descobri alternativa). O que não tiver como excluir – mas pode ser isolado do contato e da inalação, como controles remotos – pode ser revestido com filme plástico.

E o que não posso comer?

Bem, a maior dificuldade na SLA ainda é a identificação da dieta de cada um, pois não há um grupo específico de alimentos a serem evitados. Cada pessoa tem as chamadas reações cruzadas, quando o organismo do alérgico se confunde e reage também a alimentos que contenham as mesmas proteínas do látex ou proteínas semelhantes. Sabe-se, também, que não há exames com 100% de precisão para diagnóstico de alergias, que costuma se confirmar pela avaliação clínica. Portanto, a única maneira eficaz de chegarmos a uma dieta segura é a DIETA DE EXCLUSÃO com REINTRODUÇÃO CAUTELOSA dos alimentos, um a um, de preferência com apoio e acompanhamento de seu alergologista, nutricionista e demais profissionais que possam lhe orientar.

É importante estabelecer uma dieta o mais restrita possível até que se estabilize por ao menos 21 dias para começar as tentativas de reintrodução. Alguns reagem até ao iodo do sal, então nada de muitos condimentos ou temperos, pois eles podem ser os vilões.

Evite os alimentos de maior risco como banana, abacate, papaia, castanhas, azeitonas, frutas cítricas e mandioca. Comece tentando pelos menos descritos com relação com látex. De acordo com sua sensibilidade, teste primeiramente passando parte dos alimentos nos lábios, cozinhando bem, ou diluindo com bastante água, aumentando as quantidades ou a ingestão conforme tolerância. Caso haja reação, espere no mínimo 2 a 3 semanas para tentar outro alimento, dando tempo para seu sistema imune se refazer da reação.

Tenha sempre as medicações prescritas por seu médico. As crises podem surgir a qualquer momento e uma vez que você tem conduta, quanto antes iniciar menor serão as reações. Não espere a crise evoluir, algumas pessoas não possuem reações imediatas e elas podem evoluir em minutos, horas ou mesmo dias.

As reações podem, também, se darem pelas medicações, e neste caso é um pouco mais difícil identificar, pois o medicamento faz seu efeito chegando a haver melhora, porém a crise volta em seguida ou se mantém. É necessário pesquisar possíveis contaminações por látex na produção dos medicamentos e saber detalhadamente os componentes e excipientes, pois muitos deles causam reações cruzadas com o látex. Se você tem um farmacêutico de confiança que possa manipular medicamentos em ambiente livre de látex, conferir a origem das substâncias e usar apenas celulose microcristalina como excipiente, isso pode ajudar muito.

Aprenda a se perceber. Com o tempo você começa a identificar quando as reações são por algo que você ingeriu, inalou ou tocou. Esteja atento, isso pode causar confusões e exclusões desnecessárias da dieta, pois muitos de nós são muitos sensíveis a qualquer molécula dos alérgenos, que podem estar nos ambientes ou nas pessoas que nos rodeiam.

É muito comum entre pessoas com SLA a reação às fragrâncias. Óleo de laranja e outros cítricos são usados como fixadores em cosméticos, perfumes, produtos de limpeza entre outros, e são feitos para serem voláteis, o que para os mais sensíveis pode levar a crises inclusive gastrointestinais muitas vezes atribuídas a ingestão de alimentos.

Saiba que é possível sim estabilizar sem depender do uso constante de medicamentos, e essa é a única maneira de controlar a SLA, pois a cada contato com alérgenos o sistema imune se arma mais e a sensibilidade aumenta, então como temos muito a evitar, se torna impossível na prática evitar o aumento da sensibilização, mas podemos melhorar muito a qualidade de vida e evitar uma piora com maiores proporções.

Para saber mais, acompanhe nosso blog e nossa página no Facebook.

Até mais!

Rotulagem do látex em produtos de saúde (RDC 37/2015)

Imagem de uma mãe lendo o rótulo da embalagem de um produto na frente de uma prateleira de um supermercado, enquanto sua filha tenta alcançar o produto com sua mão direita.
Imagem de uma mãe lendo o rótulo da embalagem de um produto na frente de uma prateleira de um supermercado, enquanto sua filha tenta alcançar o produto com sua mão direita.

A partir de 26 de agosto de 2016, entra em vigor a RDC 37/15, que estabelece o uso de frases padronizadas para declaração em rótulos de dispositivos médicos que contenham em sua composição a presença de látex de borracha natural.

Portanto, materiais para qualquer uso em saúde e mesmo em estética, fabricados à partir de 27 de agosto de 2016, deverão declarar a presença de látex em destaque, bem como não poderão mais ser considerados hipoalergênicos.

Esperamos que esta RDC passe a ser seguida por todos, o que não vem acontecendo com a RDC 26/15 quanto aos alimentos, nos quais ainda é raro encontrarmos a rotulagem adequada.

A exclusão do látex de ambientes hospitalares e alimentícios é uma tendência mundial que tem se expandido através da conscientização dos perigos do látex para saúde de todos, pois até o momento não há cura para Síndrome Látex Alimentos – SLA, sendo a prevenção e manutenção e conduta de exclusão as únicas alternativas para estancar esta epidemia e garantir seguridade as pessoas que já desenvolveram a SLA.

Lembramos que é fundamental que a população se mobilize para fiscalizar o cumprimento destas normas. Leia os rótulos, questione os profissionais que os estão utilizando, fale com SAC, contribua com sua parte para um mundo amis saudável.

 

Confira o texto completo da RDC 37/2016:

RESOLUÇÃO RDC No- 37, DE 26 DE AGOSTO DE 2015
Dispõe sobre a padronização de frases de declaração de conteúdo de látex de borracha natural em rótulos de dispositivos médicos.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lhe confere os incisos III e IV, do art. 15 da Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, o inciso V e §§ 1º e 3º do art. 58 do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 29, de 21 de julho de 2015, publicada no D.O.U. de 23 de julho de 2015, tendo em vista o disposto nos incisos III, do art. 2º, III e IV, do art. 7º da Lei nº 9.782, de 1999, e o Programa de Melhoria do Processo de Regulamentação da Agência, instituído por meio da Portaria nº 422, de 16 de abril de 2008, e conforme deliberado em reunião realizada em 20 de agosto de 2015, adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação:

Art. 1º Este Regulamento estabelece frases padronizadas para declaração em rótulos de dispositivos médicos que contenham em sua composição a presença de látex de borracha natural.

Art. 2º Este Regulamento se aplica aos dispositivos médicos definidos a seguir:
I – Produto Médico: produto para a saúde, tais como equipamento, aparelho, material, artigo ou sistema de uso ou aplicação médica, odontológica, laboratorial ou estética, destinado à prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação ou anticoncepção e que não utiliza meio farmacológico, imunológico ou metabólico para realizar sua principal função em seres humanos, podendo, entretanto, ser auxiliado em suas funções por tais meios;
II – Produto para diagnóstico in vitro: reagentes, calibradores, padrões, controles, coletores de amostra, materiais e instrumentos, usados individualmente ou em combinação, com intenção de uso determinada pelo fabricante, para análise in vitro de amostras derivadas do corpo humano, exclusivamente ou principalmente para prover informações com propósitos de diagnóstico, monitoramento, triagem ou para determinar a compatibilidade com potenciais receptores de sangue, tecidos e órgãos.

Art. 3º Nos rótulos dos dispositivos médicos cuja composição contenha látex de borracha natural deve constar a seguinte frase padrão em destaque: “CONTÉM LÁTEX NATURAL. PODE CAUSAR ALERGIA”.
§ 1º Fica proibido o uso da expressão “hipoalergênico” nos rótulos destes dispositivos médicos.
§ 2º É facultado o uso da frase disposta no art. 17 da Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA – RDC nº 55, de 4 de novembro de 2011 para as luvas cirúrgicas e luvas para procedimentos não cirúrgicos de borracha natural, de borracha sintética, de mistura de borrachas natural e sintética e de policloreto de vinila, sob regime de vigilância sanitária.

Art. 4º É admissível, em substituição à frase “CONTÉM LÁTEX NATURAL”, a utilização do símbolo identificando a presença de látex de borracha natural, conforme norma técnica ABNT NBR ISO 15223-1:2013 – Produtos para a saúde – Símbolos a serem utilizados em rótulos, rotulagem e informações a serem fornecidas de produtos para saúde – Parte 1: Requisitos gerais; ou norma técnica que vier a substituí-la.

Parágrafo único: Nos rótulos de dispositivos médicos que apresentarem símbolo identificando a presença de látex de borracha natural, deverá constar, próximo ao símbolo, a seguinte frase padrão:
“PODE CAUSAR ALERGIA”.

Art. 5° Os rótulos dos produtos abrangidos por esta Resolução devem ser adequados no prazo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias contados a partir da data de sua publicação.

Art. 6º Os produtos fabricados antes da vigência deste regulamento ou durante o período de adequação indicado no Art. 5º deste regulamento podem ser comercializados e utilizados até a sua data de validade.

Art. 7º O descumprimento das disposições contidas nesta Resolução constitui infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.

Art. 8º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

JARBAS BARBOSA DA SILVA JR.