Relato de Alergia ao Látex com Diagnóstico Tardio

Descrevo aqui tudo que posso lembrar-me e possa vir a ter relação estabelecida com manifestações físicas que, hoje, sei serem devido da Síndrome Látex Alimentos, conhecida por Alergia Látex Fruta ou Síndrome Látex Fruta Vegetais, nomeada por mim de forma mais ampla devido a infinidade de alimentos relacionados por alérgicos ao látex de todo o mundo.

Saliento que muitas coisas custam a estabelecer relação devido ao tempo decorrido sem diagnóstico correto, a falta de literatura e de conhecimento a respeito e que, portanto, sendo eu leiga em medicina convencional (a não ser pelos tantos tratamentos e cirurgias a que fui submetida) não tenho nenhuma pretensão em apresentar trabalho científico, apenas de criar meios para esses, registrando informações que poderão vir a ter sua relação estabelecida, facilitando o diagnóstico e a compreensão dessa alergia que parece estar crescendo a medida que a utilização do látex também o faz.

Primeiros sintomas alérgicos

Nasci de cesariana em 1970. Fui amamentada por apenas um mês e criada com hábitos excessivos de higiene.

Durante toda infância tive constipação, chegando a ficar uma semana sem evacuar. Ao comer pipocas, passava 3 dias vomitando. Cólicas e dores de cabeça foram sempre presentes.

Em 1979, com 9 anos de idade, tive uma forte reação alérgica, com inchaço especialmente do rosto e da glote, pois havia tomado um xarope de um primo e foi diagnosticado como sendo alergia ao iodo.

Em três outras ocasiões, por uso indevido de iodo em exames no hospital, tive reações cada vez mais fortes.

Desde 1979, sentia fortes inchaços na cabeça, dores diagnosticadas como enxaquecas muito fortes, que me deixavam totalmente aturdida, com sensação de falta de oxigenação na cabeça. A cada dita crise de enxaqueca, passava uma semana com dores insuportáveis na cabeça e náuseas, algumas vezes acompanhadas de vômitos.

Em 1986, aos 15 anos de idade, dei a luz a um menino.

De 1986 em diante, passei por demasiados procedimentos ginecológicos, tendo feito cinco laparoscopias e três cirurgias, sendo que após a primeira laparoscopia – onde foi diagnosticado Endometriose – tive uma infecção de trompas, fiquei dois anos sem menstruar, com as trompas obstruídas, mas ainda com Endometriose, passando por histerosalpingografias e demais procedimentos constantemente. Em 1986, também, tive a primeira pneumonia durante a gravidez. Depois, após duas laparoscopias, tive pneumonia novamente.

Em 1994 fiz tratamento para indução à gravidez, ainda na busca pela cura da endometriose. Engravidei e passei por um abortamento espontâneo devido a toxoplasmose. Estava com 15 semanas de gestação.

No ano seguinte, 1995, tive a primeira crise de asma. (Refiro isso embora não entenda ainda bem essa relação, mas foi por esse fato que iniciei a conversa com meu ginecologista onde foi feito meu diagnóstico de Síndrome Látex Fruta Vegetais). E por essa época também, um pouco antes, passei a ter uma tosse seca muito forte e irritante, pela qual eu já era reconhecida, e que me causava, além do desconforto de tossir, muito constrangimento.

Depois disso, outra série de cirurgias.

Em 1998, nódulo da mama. Em 1999, histerectomia.

Em 1999, descobri também que tinha Glaucoma e estava ficando cega, tendo passado por 18 cirurgias nos olhos entre 2001 e 2009.

Diversas hipoglicemias acompanhadas de hipotensões, levando à perda de consciência, que em uma delas, no final do ano de 1999, me levou a uma isquemia leve e a ficar três meses internada no Hospital São Lucas- PUCRS, para investigação do caso e para fisioterapias. Nesse momento, foi dado como diagnóstico início de diabetes e a recomendação que segui, a risca, dali em diante foi de retirar totalmente o açúcar da dieta, o que provavelmente contribuiu para diminuição do contato com alguns dos alérgenos que mais adiante descobri ser o mais reagente em meus exames de IgE, o grupo das castanhas, pois o doce que sempre consumi mais foi o chocolate, e esse costuma ter sempre a presença de ao menos traços de castanhas. Durante onze anos não consumi açúcar, mas ainda chocolate diet, o qual parei por que me sentia mal quando comia e não identificava o por quê. Hipotensões, hipoglicemias, desmaios, enxaquecas, dores estomacais, cólicas, urticárias e pneumonias passaram a ser frequentes.

Em 2002, acidez gástrica dez vezes acima do normal, sangramentos digestivos, e a tosse seca foi diagnosticada como tosse por refluxo gastroesofágico e, após sangramento digestivo, passei por cirurgia de urgência para Correção de Hérnia de Hiato. Nesta época, vomitava quase tudo que comia.

Paralelamente, fui diagnosticada com glaucoma em estágio avançado em um dos olhos e evolutivo no outro, isso no ano de 2000. De 2001 à 2005 passei por oito cirurgias oculares em busca do controle da pressão intra ocular. Tinha dores incapacitantes nos olhos, na face e toda cabeça, sensação de que o crânio estava inchado. Edemas cada vez mais evidentes aos amigos, não eram percebidos ou valorizados pelos médicos.

Quanto mais tentava colírios, tratamentos e cirurgias oculares para o controle do glaucoma, pior ficava. E então, em 2001, fiquei totalmente cega do olho esquerdo. Em 2004, também do direito.

Em 2003, a acidez continuava, até havia aumentado. Diagnóstico de Intolerância a Lactose, nova Cirurgia de Correção de Hérnia de Hiato (às pressas) devido a sangramento digestivo por úlcera. Mesmo após cirurgia, muita acidez e necessidade de medicação para refluxo gastroesofágico.

Anemia, diarreias devido à Intolerância a Lactose sempre foram constantes, tendo passado com peso entre 44 e 48 kg (tenho 1,70 de altura). Estava sempre abaixo do peso para minha altura.

A cada cirurgia, passava mais mal. Eram tocados anestésicos, necessitava adrenalina e altas doses de corticoides, mas nunca me foi mencionado o termo “anafilaxia” ou houve encaminhamento para um alergologista investigar a(s) causa(s) das reações.

De 2005 em diante, depois de alguns tratamentos dentários, passei a ter crises cada vez mais frequentes de rinite e asma, muitas evoluindo para sinusites e pneumonias. Edemas, especialmente na face, passaram a chamar à atenção.

A tosse seca também estava mais forte e já se estabelecia relação direta por fatores que a desencadeavam, como corantes de alimentos amarelos (que também originavam diarreias), cerveja, vinho, sucos, molhos e muitas outras coisas.

Em 2007, após longas conversas com vários médicos, chegou-se a conclusão que eu não era diabética de forma alguma, e que as hipoglicemias teriam outra origem, talvez mais relacionadas à intolerância a lactose, então aos poucos voltei a ingerir açúcar e consequentemente chocolates, e as crises de asma passaram a ser muito frequentes.

Pontos, curativos com fitas adesivas, tudo causava séria rejeição e urticárias.

Em 2008 ingressei na faculdade de tecnologia de alimentos, passando a ter muito mais contato com alérgenos alimentares e comendo com maior frequência castanhas, uvas e kiwis, típicos da região onde fui morar para estudar.

Muitas crises fortes por muito tempo me levaram, em 2008, a imunoterapia também.

Sabendo-se comprovadamente por testes de contato de outras tantas alergias que eu apresentava, foram feitas as vacinas, todas ocasionando novas crises, que depois esclareceu-se que foram devido ao uso de seringas com êmbolos de borracha e frascos com tampas de borracha, além da contaminação das luvas durante todo seu processo de manipulação em laboratório.

Anos de tortura e falta de compreensão.
De 2009 à 2010 passei por mais dez cirurgias oculares pelo glaucoma.

Fui removida por ambulância em duas vezes durante aulas práticas de laboratório e por diversas outras tive de me retirar por não suportar os sintomas. Durante as diversas vezes que fui aos atendimentos de urgência ou aos médicos que me acompanhavam, nunca era mencionado o termo “anafilaxia”, exceto pelo alergologista que passei a frequentar e recentemente havia feito diagnóstico de alergia grave. Desde a infância apenas vago com idas raras a consultas nesta especialidade que culminavam em medicação para controlar os sintomas manifestados, evoluindo de muitos anti histamínicos para o uso cada vez mais frequentes de corticoides. Foi necessário abandonar o curso de tecnologia de alimentos e procurar um alergologista após ter cinco anafilaxias seguidas em atendimento de emergência, após ser retirada inconsciente do laboratório onde pela primeira vez uma médica evidenciou e referiu que eu estava tendo anafilaxias e que a causa estava ali comigo ou no ambiente hospitalar, sendo enfática em me medicar e dar alta para que eu fosse para casa e tomasse banho e procurasse o alergologista. Até então, creio que eu nem mencionara ao alergologista ao qual havia ido em poucas consultas até então, estes episódios graves além da asma. Não fazia ideia sequer que estavam relacionados.

Eis que, em conversa durante consulta de revisão com o ginecologista desabafo: “Estou muito bem, mas estaria bem melhor se não fossem as alergias, não aguento mais estar constantemente em crise alérgica, já ter inchado e aumentado 20 quilos, ter de tomar corticoides em grandes doses e não saber o que fazer para reverter isso”. E, então, surge a conversa reveladora.

Esse, que além de ótimo ginecologista é uma pessoa maravilhosa, ao me observar e fazer alguma perguntas me revela que estuda as reações ao látex devido ao fato de ter alguém próxima à ele, também médica, que descobriu ter tal doença, e que passou e passa por transtornos semelhantes aos que eu passava. Com receio de invadir a especialidade alheia, me reencaminha ao alergologista para falar a respeito e se possível fazer exames de IgE.

Assim foi feito. O alergologista, agradecido pela ajuda do colega em nos mostrar um caminho até então não percebido inclusive pelo fato de se ter outros diagnósticos e esse não ser comum, me encaminhou aos exames e lá se confirma alergia ao caju e a banana, estabelecendo reação cruzada com látex e muitas outras coisas. Muitos exames foram feitos e reações diagnosticadas.

E aí, tudo parece finalmente ter um elo entre si, e não apenas o fato de ter um monte de doenças como se elas fossem isoladas.

Constatações

Tenho Glaucoma, mas esse agravou-se devido ao aumento da pressão intracraniana que ocorre durante as crises, acompanhando os edemas (inchaços).

Tenho acidez gástrica somente se ingerir Lactose e se consumir qualquer dos alimentos me causam alergias, caso contrário meu estômago vai muito bem (obrigada!) e sem uso de medicação.

Só tenho crises de asma e sucessivas pneumonias após contatos com látex ou outros alérgenos aos quais reajo.  Os problemas ginecológicos muitos foram em função de genética, de péssimo acompanhamento médico na época e gravidez precoce, e o abortamento decorrente da toxoplasmose parece ter sido o gatilho para tornar-me mais alérgica.

As diversas cirurgias agravaram a alergia ao látex por excesso de exposição, e a cada procedimento, me tornavam mais hipersensível.

Minha dieta, supernatural e orgulhosa por adorar tudo que é saudável, em especial tudo que sei hoje que não posso, também agravou bastante a situação.

Hoje procuro evitar tudo que descrevo mais adiante e que se sabe que me causa reação, e muito mais que ainda nem sei, e é quase impraticável estar fora de risco.

Tenho cuidados especiais devido à cegueira provocada pelo Glaucoma e agravada pelo aumento da pressão intracraniana gerada pelas crises alérgicas, e esses cuidados muitas vezes me expõe ao látex.

Tenho cuidados odontológicos a fazer impraticáveis e a dificuldade de nem poder usar creme dental.

Minha dieta é limitadíssima… mas tenho uma dieta a seguir.

E, principalmente, tenho a consciência sobre essas coisas, e isso faz toda diferença.

Sei com o que me medicar, consigo identificar mais facilmente a origem das crises para tentar evitar a reincidência, e melhorei consideravelmente minha qualidade de vida com o auxílio de bons médicos dispostos a se envolverem, embora muitos nem queiram me atender por não estarem dispostos às “novidades”, e assim estamos em busca de entender melhor essa “doença moderna” e buscar maneiras de lidar com ela.

Relação dos diversos sintomas pós-contato com diferentes alérgenos

(correlação entre grupo alergênico, tipo de contato, tempo de manifestação e medicação necessária).

1- Látex

1.1- Causa: contato por pele, mucosas ou inalação do látex, especialmente com o pó adicionado a borracha (talco de luvas, balões…).

1.2- Reações: anafilaxia, asma, laringite com edema de glote, dores oculares, inchaço, urticária, vermelhidão.

1.3- Tempo de manifestação: entre 6hs e de 12hs após o contato.

2- Frutas, Legumes, Verduras e Castanhas

2.1- Causa: ingestão ou contato com frutas, castanhas e outros alimentos. Sempre muito forte quando por castanhas e mandioca.

(Kiwi; uva, laranja, limão, pêssego, banana, morango, manga, caqui, melancia, moranga, brócolis, espinafre, mandioca, batata, alface americana, rúcula, radite, caju, nozes, castanhas, pinhão, amendoim, vinho, cerveja, refrigerantes, carnes com amaciante, chocolates e biscoitos contendo traços de castanhas, ginko biloba, soja…)

2.2- Reações: inchaço principalmente das vias respiratórias superiores, perda de consciência, dor intensa na cabeça, especialmente nariz e olhos, má digestão, azia, diarréia, dores abdominais, sangramento com fezes, sensação de colapso circulatório e congestão.

2.3- Tempo de manifestação: 15min. a 4 horas após a ingestão, ou em alguns casos imediatamente.

3- Fragrâncias.

3.1- Causa: fragrâncias em geral  de frutas, perfumes, xampus, cremes, produtos de limpeza, cera, tintas, sabões, lenha, cigarro, incensos, colas.

3.2- Reações: inchaço vias respiratórias superiores e rosto e queimaduras nas mucosas e pele, dor ocular, edema de glote, urticária, vermelhidão.

3.3- Tempo de manifestação: imediata

4- Tartrazina

4.1- Causa: ingestão ou inalação de corante amarelo tartrazina em alimentos, medicamentos, produtos de higiene e limpeza.

4.2- Reações: coceiras, tosse seca, bronco espasmos, acidez gástrica, má digestão, urticária, vermelhidão.

4.3- Tempo de manifestação: imediata

5- Sol, Calor, frio e Atividade Física

5.1- Causa: exposição ao sol ou manta térmica com infravermelho, calor, suor, caminhadas, bicicleta ergométrica, agitações.

5.2- Reações: vermelhidão, urticária, inchaço do rosto e vias respiratórias superiores, broco espasmos, edema de glote.

5.3- Tempo de manifestação: imediato ou até 2 horas.

6- Cloreto de Benzalcônio e demais conservantes

6.1- Causa: Uso de medicamentos e soro fisiológico contendo conservantes.

6.2- Reações: queima da mucosa, dor; inchaço; falta de ar.

6.3- Tempo de manifestação: imediata.

Observação sobre o Cloreto de Benzalcônio.
Esse conservante parece ter agravado muito a sensibilidade das mucosas, pois está presente em diversos (quase todos) colírios que usei na tentativa de estabilizar a pressão ocular e que sempre tiveram efeitos adversos, bem como em medicações inalatórias para rinite (especialmente Avamys) e tratamento para clareamento dental, todos tendo desencadeado reação extremamente fortes e com queimaduras em toda mucosa dos olhos, nariz, laringe e esôfago, evoluindo para crises severas de asma. Foi confirmada sala reação quando após retirada quase total de outras medicações fiz uso de soro fisiológico contendo o mesmo e a reação apareceu igual a quando em outros.

 

Produtos que Oferecem Risco Eminente

  • Filtros de água e nebulizadores;
  • Leites e derivados devido ao manuseio durante a ordenha;
  • Lingeries com elástico;
  • Meias;
  • Panela de pressão;
  • Produtos de limpeza;
  • Produtos e equipamentos odontológicos;
  • Luvas, camisinhas, garrotes, êmbolos de seringas, tampas de frascos, tubos balões, atilhos, e demais materiais de látex, principalmente de uso hospitalar, sendo o talco usado em alguns desses muito volátil, tornando a exposição perigosa devido a facilidade com que penetram nas vias respiratórias, além do contato;
  • Travesseiros e colchões;
  • Cosméticos, maquiagens e perfumaria, tudo que tem aromas tem ácido cítrico;
  • Margarina;
  • Refrigerantes e bebidas alcóolicas;
  • Secadores de cabelo;
  • Splits, ar condicionados e climatizadores que contenham borrachas no interior;
  • Controles remotos;
  • Fones e cabos elétricos;
  • Canetas com borracha;
  • Calçados e bolsas com borracha;
  • Adesivos, colas em geral;
  • Brinquedos;
  • Medicamentos e alimentos com aditivos em geral, muitos não informam nem mesmo a presença dos corantes;
  • Cuidado com as substâncias presentes e descritas apenas como “excipiente q.s.p.”;
  • Cuidado especial com ingredientes presentes em diversos tipos de alimentos e perfumaria, como ácido cítrico e gomas arábica, guar e xantana;
  • Cuidado com a manipulação de alimentos por luvas de látex, inclusive pão;
  • Cuidado com os traços das substâncias alérgenas em alimentos, pois a Anvisa não obriga a informação de tais traços, exceto leite e glúten;

 

  Alimentos que Oferecem risco Eminente (por ordem de gravidade dos sintomas)

  • Castanhas, de qualquer tipo (nozes, amendoim, pinhão…);
  • Alho;
  • Chocolates e biscoitos que contenham traços de castanhas, amendoim, nozes e assemelhados;
  • Frutas em geral, especialmente uva, banana, kiwi, melancia, laranja, limão, abacate, pêssego e morango;
  • Mandioca;
  • Brócolis, espinafre, rúcula, radite e assemelhados;
  • Batata inglesa;
  • Soja;
  • Gengibre
  • Grãos integrais, cereais;
  • Manjericão, sálvia, alecrim, erva cidreira, hortelã, ervas aromáticas no geral;
  • Mostarda;
  • Aromatizantes naturais ou artificiais;
  • Produtos manipulados em locais que manipulem qualquer dos anteriores e que possa haver contaminação pelos mesmos;
  • Cebola;
  • Alface;
  • Pepino;
  • Ovo;
  • Linhaça;
  • Salsa;
  • Milho;
  • Aditivos (sulfitos, corantes, emulsionantes…).

 

Condutas a partir do diagnóstico

1.Exclusão total do látex.

2.Estabelecimento da dieta.

É fundamental estabelecer a dieta segura da forma correta, que sempre que possível envolve o auxílio de profissionais além do alergologista como nutricionista, gastroenterologista, psicólogo e os que forem necessários e envolvidos.

A principal dica para chegar a dieta segura é ter consciência de que alérgicos ao látex com reações cruzadas à alimentos tem dieta individualizada e podem reagir a muito mais alimentos dos que os relacionados em estudos até o momento portanto quando não há estabilidade com remissão dos sintomas pode ser necessário permanecer em dieta extremamente restrita mas segura por período a ser determinado em conjunto com os profissionais envolvidos e também com o auxílio deles, realizar de forma segura as reintroduções de um alimento por vez, respeitando prazos para observar reações até chegar a uma dieta diversificada segura. O contrário, retirar alimentos sem a certeza de a quais a pessoa reage além de tornar o processo difícil e confuso devido as várias formas de reações de alérgicos com Síndrome Látex  Alimentos – SLA pode levar a exclusões desnecessárias tanto quanto sensibilizar cada vez mais por insistir em ingerir alimentos que causam reações apenas por não os considerar relacionado ao látex.

Passei, para isso, quatro anos comendo apenas derivados de farinha de trigo branco a e carnes, após descobrir reagir ao arroz, fazendo testes de provocação oral (TPO) aliados a exames, para enfim chegar aos alimentos que seguem.

Dieta de Daisy Fortes

  • Cenouras;
  • Cacau;
  • Café;
  • Carnes;
  • Coco;
  • Derivados de cana de açúcar;
  • Moranga capotiá;
  • Farinha de trigo branca;
  • Pimentas;
  • Batata doce;

Lembrando que esta dieta é segura para mim e não significa ser para outros pois cada organismo estabelece reações cruzadas diferentes, o que é um dos maiores desafios para pessoas com SLA pois cada um terá de descobrir sua própria dieta

3. Cuidados gerais.

É preciso repensar a nossa existência para viver com alergia ao látex quando se está muito sensibilizado, e se possível, antes de chegar a tanto.

Algumas medidas que podem inicialmente parecerem muito radicais podem ser o detalhe que faz toda diferença na qualidade de vida.

Muitas dicas essenciais para exclusão do látex como cuidados com medicamentos, aromas, roupas e ambiente em geral, além de receitas e protocolos para atendimentos de saúde estão disponíveis no blog http://www.slabrasil.com  e são postadas aqui no Facebook https://www.facebook.com/sindromelatexalimentos/ .

4. Tratamentos, medicações e condutas.

Durante os últimos cinco anos fiz uso de medicação para controle da asma grave mediada por IgE, e com isso as reações anafiláticas também diminuíram bastante, porém houveram muitos contratempos com o uso desta medicação, que trouxe inúmeros e graves efeitos colaterais e recentemente tive anafilaxia a própria medicação, precisando descontinuar o tratamento e estando agora mais sensibilizada e com os efeitos colaterais acumulativos de tudo este processo.

É fundamental estar consciente de que a alergia ao látex é adquirida pela exposição excessiva e/ou precoce (atenção às crianças! O número de crianças diagnosticadas tem aumentado muito e a exposição precoce as luvas de látex no ambiente hospitalar está entre as principais causas.), progressiva e até o momento não há comprovação de dessensibilização,  tratamento ou curas possíveis, embora hajam especulações em parte da Europa para dessensibilização só o que houveram até então foram registros de reações graves em grande parte dos pacientes envolvidos nas tentativas e relatos vagos de possíveis melhoras. Tais experimentos estão desaprovados pela FDA e pela comunidade médica em geral.

 

Daisy Fortes, 20 de junho de 2018.

Anúncios

Semana de Conscientização sobre Alergia ao Látex – Lançamento do Folder

 

Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA.
Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA. Capa e contracapa.
Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA.
Folder de divulgação da Semana de Conscientização sobre a Alergia ao Látex, feito pela Asociación Argentina de Alergia al Látex em parceria com o SLA. Parte interna.

“Na  Semana de Concientización Sobre Alergia al Látex, desde a Asociación Argentina de Alergia al Látex, queremos compartilhar com todos o tríptico que faz parte da nossa Campaña de Prevención de Alergia al Látex.

Do ponto de vista da inocuidad alimentaria, tem sido um longo e belo trabalho em conjunto com o nosso querido designer gráfico Gustavo García Melieni. Uma vez terminado, pedimos a ajuda da Daisy Fortes, diretora da Síndrome Látex Alimentos – SLA para traduzi-la ao português, assim como o apoio da RED Inmunos (Associação Argentina de Alergia a Alimentos) já que muitos de seus associados sofrem de alergias alimentares que podem provocar reações cruzadas com o látex.

Aqui estão as duas versões para a América Latina. Esperamos que sejam uma ferramenta educacional útil e esclarecedora, que os ajude a fazer as mudanças necessárias para prevenir esta patologia e oferecer alimentos seguros.

Compartilhe!

 

Lavanderia SLA

Cuidados básicos para roupas e calçados de pacientes com Síndrome Látex Alimentos –
SLA.

  • Alérgicos ao látex não podem usar roupas com elásticos, atenção aos lençóis, meias,
    roupa íntima, blusas de malha (podem ter fio elástico misturado), spandex (o
    spandex em si não contém látex, mas são permitidas misturas de até 5% sem a
    descrição na etiqueta), calçados e outros.
  • Roupas das demais pessoas na casa que contenham elásticos devem ser lavadas
    separadamente e serem mantidas o mais distante possível do alérgico, portanto, se o alérgico é criança, os pais devem ter muito cuidado com suas roupas também,
    lembrem que não é apenas onde está o elástico que há perigo, todo tecido estará
    contaminado.
  • Muitos alérgicos ao látex reagem aos aromas, procurem usar sabões mais neutros,
    ideal se sem nenhuma fragrância adicionada, e evite especialmente sabões em pó e
    amaciantes. Utilizo base para sabão líquido diluída apenas em água, sem corantes
    nem aromas, mas alguns alérgicos ao látex usam sabões comerciais neutros sem
    reações alérgicas. Vinagre de álcool e bicarbonato são bons aliados.
  • Fique atento à localização do seu varal para que não haja contaminação do
    ambiente.
  • É aconselhável que as roupas com que as pessoas da casa venham da rua não sejam
    usadas dentro de casa.
  • Alguns tingimentos também podem causar reações.
  • Tecidos muito sintéticos podem favorecer dermatites pela dificuldade da
    transpiração, nem tudo é reação.
  • Há vários relatos de pessoas que reagem também ao algodão natural, cru como
    alguns chamam.
  • Calçados com sola de borracha natural devem ser excluídos, e nos demais é preciso
    estar atento às colas de palmilhas e óleo adicionados aos materiais sintéticos que
    podem conter látex, portanto se reagir mesmo que não perceba onde o látex está,
    evite.
  • Roupas novas devem ser muito bem lavadas antes de serem usadas devido às
    contaminações na fabricação, transporte e estocagem.
  • Sapatos usados na rua não devem ser usados dentro de casa.
  • Muita atenção com roupas contaminadas pelo pó de luvas e balões de látex. Se o
    alérgico ou algum familiar for exposto ao pó de látex, toda roupa deve ser
    imediatamente muito bem lavada, ainda que não haja contato direto. O pó liberado
    no ambiente se propaga como pólen e impregna como óleo de castanhas, podendo
    causar reações graves mesmo após vários dias.

Como acontece

Entro em algum ambiente aparentemente livre de látex ou alimentos – ou pessoas chegam à minha casa – e tudo parece agradável Tudo inicia muito rápido ou, em algumas ocasiões, horas depois.

Às vezes sinto apenas sono incontrolável. Outras vezes começa com diarreia intensa.
Na maioria das vezes, meu coração dispara. Um rubor agonizante toma conta de meu rosto, olhos, garganta, enquanto os ouvidos incham instantaneamente e doem.

Tem vezes que começa logo por broncoespasmos e o pulmão ameaça parar de repente. De comum em todas as maneiras que inicia é a sensação eminente da morte. A energia vital parece escorrer de mim e resta apenas agonia.

Em alguns instantes, alguém terá de perceber e me salvar injetando adrenalina. Deveria ter comigo adrenalina auto injetável, mas esta infelizmente não está disponível no Brasil e não posso custear a importação, pois são inúmeras às vezes em que preciso. Então resta a sorte de estar com alguém que saiba o que e como fazer, dosar a adrenalina da ampola na dose certa e aplicar com agilidade, sem hesitar.

Feito isso, em instantes volto a raciocinar e respirar, porém todo impacto da crise levará 21 dias para passar. Durante este período, muita medicação ainda será necessária, muitos cuidados para que as inflamações das mucosas não evoluam para pneumonia ou outros, muita dor – especialmente da cabeça e ocular – terá de ser suportada.

Do que estou falando? ANAFILAXIA.

Quem nunca sentiu ou presenciou talvez tenha ouvido falar em anafilaxia ou em choque anafilático e relacione com reações a anestesias e medicamentos. Mas ela pode ocorrer por diversos motivos, em geral, uma grave reação alérgica.

Por definição, anafilaxia ocorre quando dois ou mais sistemas do organismo, sendo um deles respiratório ou vascular, entram em colapso. Pessoas alérgicas ou com doenças auto imunes podem iniciar o quadro de anafilaxia por diferentes motivos e diferentes sintomas. No caso das pessoas com Síndrome Látex Alimentos – SLA, pode ocorrer apenas por estar no mesmo ambiente que produtos de látex – especialmente as luvas e balões que liberam partículas muito voláteis no ar e que inaladas vão direto aos pulmões – como também por ingerir ou estar no mesmo ambiente de diversos alimentos, perfumes, tintas e muitos outros, dependendo da sensibilização de cada um.

Mas o importante aqui é dizer mais do que como acontece, é dizer que ANAFILAXIA PODE DEIXAR SEQUELAS E ATÉ LEVAR A MORTE. Não são simples sensações, são sintomas graves, urgência médica e devido ao grande aumento de casos de pessoas alérgicas em todo mundo, temos cada vez mais notícias de pessoas que morrem por anafilaxia.

Aquele conhecido que você ouviu falar que morreu por picada de abelha, aquele outro que passou muito mal quando precisou anestesia, tem aquele também que quase morreu ao comer camarão… todos eles sofreram anafilaxia.

Seja solidário e evite expor as pessoas a coisas que podem causar tanto sofrimento. É importante evitar balões de látex em festas, luvas de látex em seu trabalho ou ambiente familiar, não oferecer alimentos às crianças sem a permissão dos pais. Pense no próximo como em você, afinal, alergias podem ser adquiridas em qualquer momento da vida, ninguém está livre.

Como acontece o choque anafilático

Descobri que sou alérgica ao látex e a diversos alimentos, e agora?

Daisy com máscara de proteção
Foto do rosto da Daisy (cabelos escuros e curtos até os ombros e olhos castanhos), usando uma máscara de proteção na cor rosa, cobrindo seu nariz e boca.

A grande maioria das pessoas não sabe exatamente quais são as consequências das alergias mais graves. O diagnóstico de alergia, especialmente quando envolve risco de asma e/ou anafilaxia, não é fácil, e algumas pessoas passam muitos anos com problemas de saúde diversos sem conseguirem ligar isso à causa.

Mas a cada dia, mais pessoas vêm sendo diagnosticadas. Os dados mundiais apontam o crescimento de alergias, especialmente alimentares, e com o diagnóstico vem também toda uma nova realidade, seja de tratamentos ou em casos como da Síndrome Látex Alimentos – SLA para os quais não há tratamento ou cura, muitas exclusões.

Por onde começo?

Bem, se você reage apenas ao látex em si, comece eliminando tudo de mais óbvio de seu contato ou inalação como luvas e balões, e passe a analisar absolutamente todo seu dia a dia. Acredite, anos depois você ainda estará percebendo coisas em que o látex está escondido a sua volta.

Roupas íntimas, calçados, travesseiros, colchões, eletrodomésticos, botões de controle remoto, creme dental (goma xantana), escova de cabelo, secadores, ar condicionado, e a lista pode chegar a cerca de 300 mil produtos. Então você terá de ficar atento e aos poucos vai percebendo e descobrindo alternativas para o que há (algumas coisas como o secador de cabelos nunca descobri alternativa). O que não tiver como excluir – mas pode ser isolado do contato e da inalação, como controles remotos – pode ser revestido com filme plástico.

E o que não posso comer?

Bem, a maior dificuldade na SLA ainda é a identificação da dieta de cada um, pois não há um grupo específico de alimentos a serem evitados. Cada pessoa tem as chamadas reações cruzadas, quando o organismo do alérgico se confunde e reage também a alimentos que contenham as mesmas proteínas do látex ou proteínas semelhantes. Sabe-se, também, que não há exames com 100% de precisão para diagnóstico de alergias, que costuma se confirmar pela avaliação clínica. Portanto, a única maneira eficaz de chegarmos a uma dieta segura é a DIETA DE EXCLUSÃO com REINTRODUÇÃO CAUTELOSA dos alimentos, um a um, de preferência com apoio e acompanhamento de seu alergologista, nutricionista e demais profissionais que possam lhe orientar.

É importante estabelecer uma dieta o mais restrita possível até que se estabilize por ao menos 21 dias para começar as tentativas de reintrodução. Alguns reagem até ao iodo do sal, então nada de muitos condimentos ou temperos, pois eles podem ser os vilões.

Evite os alimentos de maior risco como banana, abacate, papaia, castanhas, azeitonas, frutas cítricas e mandioca. Comece tentando pelos menos descritos com relação com látex. De acordo com sua sensibilidade, teste primeiramente passando parte dos alimentos nos lábios, cozinhando bem, ou diluindo com bastante água, aumentando as quantidades ou a ingestão conforme tolerância. Caso haja reação, espere no mínimo 2 a 3 semanas para tentar outro alimento, dando tempo para seu sistema imune se refazer da reação.

Tenha sempre as medicações prescritas por seu médico. As crises podem surgir a qualquer momento e uma vez que você tem conduta, quanto antes iniciar menor serão as reações. Não espere a crise evoluir, algumas pessoas não possuem reações imediatas e elas podem evoluir em minutos, horas ou mesmo dias.

As reações podem, também, se darem pelas medicações, e neste caso é um pouco mais difícil identificar, pois o medicamento faz seu efeito chegando a haver melhora, porém a crise volta em seguida ou se mantém. É necessário pesquisar possíveis contaminações por látex na produção dos medicamentos e saber detalhadamente os componentes e excipientes, pois muitos deles causam reações cruzadas com o látex. Se você tem um farmacêutico de confiança que possa manipular medicamentos em ambiente livre de látex, conferir a origem das substâncias e usar apenas celulose microcristalina como excipiente, isso pode ajudar muito.

Aprenda a se perceber. Com o tempo você começa a identificar quando as reações são por algo que você ingeriu, inalou ou tocou. Esteja atento, isso pode causar confusões e exclusões desnecessárias da dieta, pois muitos de nós são muitos sensíveis a qualquer molécula dos alérgenos, que podem estar nos ambientes ou nas pessoas que nos rodeiam.

É muito comum entre pessoas com SLA a reação às fragrâncias. Óleo de laranja e outros cítricos são usados como fixadores em cosméticos, perfumes, produtos de limpeza entre outros, e são feitos para serem voláteis, o que para os mais sensíveis pode levar a crises inclusive gastrointestinais muitas vezes atribuídas a ingestão de alimentos.

Saiba que é possível sim estabilizar sem depender do uso constante de medicamentos, e essa é a única maneira de controlar a SLA, pois a cada contato com alérgenos o sistema imune se arma mais e a sensibilidade aumenta, então como temos muito a evitar, se torna impossível na prática evitar o aumento da sensibilização, mas podemos melhorar muito a qualidade de vida e evitar uma piora com maiores proporções.

Para saber mais, acompanhe nosso blog e nossa página no Facebook.

Até mais!

Rotulagem do látex em produtos de saúde (RDC 37/2015)

Imagem de uma mãe lendo o rótulo da embalagem de um produto na frente de uma prateleira de um supermercado, enquanto sua filha tenta alcançar o produto com sua mão direita.
Imagem de uma mãe lendo o rótulo da embalagem de um produto na frente de uma prateleira de um supermercado, enquanto sua filha tenta alcançar o produto com sua mão direita.

A partir de 26 de agosto de 2016, entra em vigor a RDC 37/15, que estabelece o uso de frases padronizadas para declaração em rótulos de dispositivos médicos que contenham em sua composição a presença de látex de borracha natural.

Portanto, materiais para qualquer uso em saúde e mesmo em estética, fabricados à partir de 27 de agosto de 2016, deverão declarar a presença de látex em destaque, bem como não poderão mais ser considerados hipoalergênicos.

Esperamos que esta RDC passe a ser seguida por todos, o que não vem acontecendo com a RDC 26/15 quanto aos alimentos, nos quais ainda é raro encontrarmos a rotulagem adequada.

A exclusão do látex de ambientes hospitalares e alimentícios é uma tendência mundial que tem se expandido através da conscientização dos perigos do látex para saúde de todos, pois até o momento não há cura para Síndrome Látex Alimentos – SLA, sendo a prevenção e manutenção e conduta de exclusão as únicas alternativas para estancar esta epidemia e garantir seguridade as pessoas que já desenvolveram a SLA.

Lembramos que é fundamental que a população se mobilize para fiscalizar o cumprimento destas normas. Leia os rótulos, questione os profissionais que os estão utilizando, fale com SAC, contribua com sua parte para um mundo amis saudável.

 

Confira o texto completo da RDC 37/2016:

RESOLUÇÃO RDC No- 37, DE 26 DE AGOSTO DE 2015
Dispõe sobre a padronização de frases de declaração de conteúdo de látex de borracha natural em rótulos de dispositivos médicos.

A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, no uso das atribuições que lhe confere os incisos III e IV, do art. 15 da Lei n.º 9.782, de 26 de janeiro de 1999, o inciso V e §§ 1º e 3º do art. 58 do Regimento Interno aprovado nos termos do Anexo I da Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 29, de 21 de julho de 2015, publicada no D.O.U. de 23 de julho de 2015, tendo em vista o disposto nos incisos III, do art. 2º, III e IV, do art. 7º da Lei nº 9.782, de 1999, e o Programa de Melhoria do Processo de Regulamentação da Agência, instituído por meio da Portaria nº 422, de 16 de abril de 2008, e conforme deliberado em reunião realizada em 20 de agosto de 2015, adota a seguinte Resolução da Diretoria Colegiada e eu, Diretor-Presidente, determino a sua publicação:

Art. 1º Este Regulamento estabelece frases padronizadas para declaração em rótulos de dispositivos médicos que contenham em sua composição a presença de látex de borracha natural.

Art. 2º Este Regulamento se aplica aos dispositivos médicos definidos a seguir:
I – Produto Médico: produto para a saúde, tais como equipamento, aparelho, material, artigo ou sistema de uso ou aplicação médica, odontológica, laboratorial ou estética, destinado à prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação ou anticoncepção e que não utiliza meio farmacológico, imunológico ou metabólico para realizar sua principal função em seres humanos, podendo, entretanto, ser auxiliado em suas funções por tais meios;
II – Produto para diagnóstico in vitro: reagentes, calibradores, padrões, controles, coletores de amostra, materiais e instrumentos, usados individualmente ou em combinação, com intenção de uso determinada pelo fabricante, para análise in vitro de amostras derivadas do corpo humano, exclusivamente ou principalmente para prover informações com propósitos de diagnóstico, monitoramento, triagem ou para determinar a compatibilidade com potenciais receptores de sangue, tecidos e órgãos.

Art. 3º Nos rótulos dos dispositivos médicos cuja composição contenha látex de borracha natural deve constar a seguinte frase padrão em destaque: “CONTÉM LÁTEX NATURAL. PODE CAUSAR ALERGIA”.
§ 1º Fica proibido o uso da expressão “hipoalergênico” nos rótulos destes dispositivos médicos.
§ 2º É facultado o uso da frase disposta no art. 17 da Resolução da Diretoria Colegiada da ANVISA – RDC nº 55, de 4 de novembro de 2011 para as luvas cirúrgicas e luvas para procedimentos não cirúrgicos de borracha natural, de borracha sintética, de mistura de borrachas natural e sintética e de policloreto de vinila, sob regime de vigilância sanitária.

Art. 4º É admissível, em substituição à frase “CONTÉM LÁTEX NATURAL”, a utilização do símbolo identificando a presença de látex de borracha natural, conforme norma técnica ABNT NBR ISO 15223-1:2013 – Produtos para a saúde – Símbolos a serem utilizados em rótulos, rotulagem e informações a serem fornecidas de produtos para saúde – Parte 1: Requisitos gerais; ou norma técnica que vier a substituí-la.

Parágrafo único: Nos rótulos de dispositivos médicos que apresentarem símbolo identificando a presença de látex de borracha natural, deverá constar, próximo ao símbolo, a seguinte frase padrão:
“PODE CAUSAR ALERGIA”.

Art. 5° Os rótulos dos produtos abrangidos por esta Resolução devem ser adequados no prazo de 365 (trezentos e sessenta e cinco) dias contados a partir da data de sua publicação.

Art. 6º Os produtos fabricados antes da vigência deste regulamento ou durante o período de adequação indicado no Art. 5º deste regulamento podem ser comercializados e utilizados até a sua data de validade.

Art. 7º O descumprimento das disposições contidas nesta Resolução constitui infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabíveis.

Art. 8º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.

JARBAS BARBOSA DA SILVA JR.

Contaminação de alimentos por látex

O látex, a borracha natural, é extraído da seiva de diversas árvores, mas mais comumente da seringueira, e é composto de 14 proteínas.

Algumas pessoas desenvolvem alergias a estas proteínas, alguns a todas, outros somente à algumas delas, e a partir daí o organismo passa a entender toda proteína semelhante como agressor e reagir cada vez mais, sendo necessário o uso de medicamentos para controle dos sintomas e levando à exclusão de tudo que contenha estas proteínas para se obter qualidade de vida.

Esta alergia adquirida, chamada Síndrome Látex Alimentos – SLA, pode ocorrer com qualquer pessoa, em qualquer idade, sendo que o excesso de exposição ao látex é o fator mais decisivo. Diante disso, muitas pessoas pensam estarem a salvos pois não imaginam que em sua rotina possam estar tendo contatos diários e excessivos com látex.

Em texto anterior, citei ligeiramente locais onde encontramos o látex, mas o contato mais agressivo ao nosso organismo merece uma atenção especial.

As duas piores formas para o contato são pela inalação, o que só conseguiremos resolver proibindo o uso de balões festivos (bexigas) em locais públicos – pois eles contaminam cerca de 500m² em sua volta, com essas proteínas suspensas sendo inaladas – e também excluindo o uso de luvas de látex nos hospitais, em odontologia e nas indústrias com manuseio de alimentos, onde está também a segunda forma mais agressiva de contato, a ingestão das proteínas do látex associadas aos alimentos.

Foto tirada de baixo para cima, de inúmeros balões coloridos voando em direção ao céu.
Foto tirada de baixo para cima, de inúmeros balões coloridos voando em direção ao céu.

Talvez você nunca tenha se dado conta, mas em diversas fábricas, restaurantes, lancherias, cafés, no supermercado, na peixaria… olhe em volta, pesquise. Muitos estão contaminando sua comida com látex, o que faz de todos nós potenciais pacientes da SLA e, aos pacientes já sensibilizados, oferece risco de reações graves que podem ser fatais.

Em 2006, testes financiados pela britânica Food Standards Agency (FSA) em 21 tipos de embalagens mostraram que um terço dos alimentos destas embalagens estavam contaminados por látex. Estas descobertas levaram a novas regras de rotulagem para garantir que os consumidores estejam conscientes do uso de látex nas embalagens em toda a Europa. Nesta pesquisa, os cientistas encontraram em um biscoito de chocolate a quantidade de látex quase 20 vezes maior que o nível que poderia levar um paciente sensibilizado a anafilaxia com risco de óbito. Atualmente, diversos países da Europa excluíram o látex.

Foto em que aparecem mãos vestidas com luvas de látex preparando um sanduíche, com fatias de tomate e presunto cortadas sobre uma tábua de plástico.
Foto em que aparecem mãos vestidas com luvas de látex preparando um sanduíche, com fatias de tomate e presunto cortadas sobre uma tábua de plástico.

Nos Estados Unidos, onde os dados revelam cerca de 3 milhões de pessoas com alergia ao látex, em 2015 diversos estados proibiram o uso das luvas de látex em hospitais, odontologia e indústrias de manuseio de alimentos, a exemplo do Hawaii.

No Brasil, a partir de junho será obrigatório rotular a presença de látex em qualquer quantidade de contaminação nos alimentos. Em medicamentos e em materiais hospitalares a obrigatoriedade começa a partir de agosto. Mas apenas seremos avisados que ele está lá, e muito temos a lutar ainda pela conscientização de que somente banindo o uso de luvas e balões festivos estaremos mais seguros quanto a SLA, que até o momento não apresenta nenhum caso de cura no mundo todo.

 

Referências:

Beezhold DH, Kostyal DA, Wiseman JS. A transferência de proteína alérgenos de luvas de látex. Um estudo de fatores que influenciam. AORN 59: 605-614, 1994
Beezhold D, Reschke J, Allen J, Kostyal D, proteína G. Latex Sussman: Um alérgeno alimentar escondido? Allergy Asthma Proceedings 21: 301-306, 2000.
Bernardini R, Novembre E, Lombardi E, Pucci N, Marcucci F, Vierucci A.
Anafilaxia ao látex após a ingestão de um donut cheio de creme contaminado com látex. J Allergy Clin Immunol. 2002 setembro; 110 (3): 534-5.
Pesquisa publicada na Chemistry & Industry , a revista para a Sociedade da Indústria Química.

Onde está o látex?

Os números divergem por que alguns dirão que o látex está em cerca de 40 mil produtos, mas apurações mais detalhadas chegam próximas a 300 mil produtos quando analisamos não só de que são constituídos em maioria, mas também detalhes.

O fato é que vivemos cercados de borracha e quando se tem Síndrome Látex Alimentos – SLA aí está o primeiro grande desafio, retirar todo látex de seu convívio.

Por mais detalhada que eu faça a lista, ainda descobrirão mais coisas em seu dia a dia, por isso tentarei lembrar das essenciais e das que eu mesma me surpreendi quando me dei por conta que estavam ali.

luva-latex
Imagem de mãos com luvas de látex, segurando uma faca e cortando rodelas de pepino.

Luvas e balões festivos são nossas maiores vilões pois além do látex oferecer perigo ao contato, são as formas em que ele mais contamina todo ambiente, havendo registro de pessoas que reagem a uma única molécula pairando no ar a cerca de 20 metros ou mais, e esta pode ficar no ambiente por cerca de 3 dias.

Roupas, especialmente as íntimas, bem como lençóis e tudo mais que terá de ser substituído por livres de elásticos mas também observado a composição dos tecidos, que não são obrigados a declarar até 5% de mistura, então a regra é se reage, não usa. Fala-se com as empresas pelo SAC mas nem sempre isso é esclarecedor, e temos de observar também a lavagem das roupas pois estas as quais reagimos não podem ser lavadas junto com as do nosso uso e algumas vezes nem usadas pelas pessoa próximas a nós.

Nos calçados além da sola precisamos estar atentos às colas que tenham contato com os pés pois elas contém látex e este será liberado com o suor dos pés. Além disso, calçados sintéticos com aromas contém óleos em seu tratamento e estes tem látex. Calçados devem ser deixados do lado de fora das casas, procure ter chinelos para oferecer as visitas, ou o piso deve ser muito bem lavado após elas andarem sobre ele com calçados de solas de borracha e mesmo outros pois trarão contaminações diversas da rua ao ambiente.

Eletrodomésticos: Nestes a relação é enorme, vai desde os secadores de cabelo que por terem borrachas em contato com o ar quente as farão ser inaladas por nós ao corta gotas da cafeteira que pode e deve ser retirado pois o café passa por ele e assim é contaminado. Liquidificadores terão de ser de copo inteiro e ainda assim verificado o material  da vedação. Panelas de pressão não poderão ter vedação de borracha natural, existem algumas com silicone que podem ser usadas mas o silicone também pode conter misturas então há de se informar com o fabricante. Sistemas de ar em geral, ventiladores, estufas, ar condicionados, tudo terá de ser conferido.

Imagem em close de um tapete de borracha para veículos.
Imagem em close de um tapete de borracha para veículos.

Nos veículos, a primeira coisa a providenciar é a substituição dos tapetes pelos de material sintético. Muita coisa nos veículos não poderão serem substituídas e o uso do ar condicionado do carro costuma ser problemático bem como andar com as janelas abertas pois estaremos inalando borrachas liberadas no ambiente por todos os veículos então temos de descobrir por nós mesmos qual a maneira menos nos afeta e em viagens longas o uso de máscaras pode ajudar um pouco mas elas não seguram as proteínas pesadas do látex.

Adesivos em geral têm látex. Os que não têm látex, têm milho, o que é problema também para muitos.

Controles remotos costumam ter botões de borracha natural, um filme plástico a ser trocado de tempos em tempos pode resolver.

Cabos de carregadores de celular, fones de ouvido e outros podem conter látex. Nos fones há de se observar também as espumas internas.

Vedações de filtros de água ou mesmo de torneiras podem ser substituídas pelas de silicone puro.

Vários alimentos podem estabelecer reação cruzada com látex e assim nos causar reações, mas temos de verificar a procedência dos mesmos para isentar contaminações por látex em sua produção antes de elimina-los desnecessariamente da dieta. No caso do leite a menos que se tenha como conseguir de ordenha manual, sempre terá muita contaminação de látex pelo uso das teteiras na ordenha. Muitos moinhos também ainda utilizam tubulação de borracha por onde passa a farinha, assim como muitas indústrias utilizam luvas, então toda origem dos alimentos deve ser investigada pois mesmo com a lei da rotulagem a entrar em vigor em junho sabemos que nem todos seguem leis.

Supermercados e outros utilizam luvas de látex no manuseio de alimentos, o que é risco não só ao consumi-los como ao entrarmos nestes ambientes.

Sal, bicarbonato e outros podem ter contaminação por látex no processo de secagem.

Embalagens com cola que contenha látex contamina o alimento.

Gomas utilizadas em diversas coisas como alimentos e creme dental (goma guar e goma xantana) são a base de resinas naturais (látex).

Colchões e travesseiros podem ser de látex. Confira as etiquetas ou entre em contato com fabricante pois há boas alternativas livres de látex.

Bem, se eu ficar relatando o texto será ainda mais imenso e talvez muitos cansem de ler na metade, então vamos aos poucos. Com estes alertas, aprendendo a ter uma visão mais apurada para detectar e tentar excluir tudo ou ao menos o máximo do que há com látex em nossas vidas, pois essa é a única maneira até o momento de evitarmos maior sensibilização ou mesmo crises que podem ser fatais.

Depoimento de Pietra Rosolen Marinho

foto-pietra-marinho
Foto de Pietra sorrindo ao lado de sua mãe.

Pietra Rosolen Marinho, hoje com 8 anos, nasceu prematura de 30 semanas. Ficou internada na UTI por 30 dias e nesse período foi muito exposta ao látex. Já na UTI Neonatal faziam chupeta de luva de látex para estimular sua sucção.

Quando saiu da UTI, seus problemas se agravaram. Ela vomitava muitas vezes ao dia, chorava muito para ser alimentada, até que começou a se recusar a comer. Então, suas internações começaram a ser muito frequentes e, em todas as internações, colocavam sondas nasointerais de látex para que ela pudesse se alimentar e as fonoaudiólogas estimulavam sua sucção com luvas de látex. Enfim, eu desconhecia completamente que o látex era um grande vilão e que causava alergias e por isso nunca sequer questionei o seu uso em minha filha. Se eu pudesse imaginar as consequências disso, jamais alguém teria encostado na minha filha com essas luvas!

Foram dois anos de muita luta e muitas internações, e Pietra sempre muito estimulada com as luvas de látex em sua boca para que pudesse se “dessensibilizar” – como diziam as fonoaudiólogas. Nesse período, ela também passou por duas cirurgias.

Aos 3 anos de idade ela finalmente foi à escola, até então, apesar de muitas tosses noturnas, eu jamais desconfiei de que ela tivesse qualquer tipo de alergia. Até que, durante uma festinha da escola, a professora desceu com ela completamente inchada e com a respiração difícil, e corremos para o hospital. Ela foi medicada com adrenalina. Eu fiquei apavorada, nunca havia visto um quadro daqueles e até então não sabia nada sobre alergias, visto que não sou alérgica a nada. Imaginei que ela tivesse alergia a algum corante, jamais imaginei que um inofensivo balão fosse capaz de provocar uma reação tão horrível na minha filha que poderia inclusive tê-la matado se não fosse prontamente atendida.

Procurei um médico alergologista e encontrei a Dra. Martha Moretti (que a acompanha até hoje) e, já na primeira consulta, na anamnese, ela desconfiou da alergia ao látex. Para mim foi um choque, porque jamais pude supor que o látex que foi tão utilizado por profissionais da área de saúde pudesse causar um estrago tão grande na qualidade de vida da minha filha.

Por meio de exames de sangue, sua alergia ao látex foi confirmada. Mas o pior estava por vir, pois eu jamais imaginava que essa alergia provocava alergias cruzadas com tantos alimentos tidos como super saudáveis, porque a proteína do látex é muito semelhante a de muitas frutas, verduras, castanhas, grãos, e uma vez sensibilizado ao látex, as chances de reações cruzadas são muito grandes. E o pior: a alergia ao látex é uma alergia adquirida 100% por exposição, mas 0% curável, sendo que, a cada exposição, essa alergia vai aumentando, podendo chegar a situações assustadoras como de algumas pessoas que sequer suportam partículas de látex no ar e não podem ingerir quase nenhum alimento, como é o caso da Daisy Fortes, que criou a página no Facebook, “SLA- Síndrome Látex Alimentos”, e que está batalhando pela criação de uma associação para que essa alergia possa ser divulgada para que as pessoas se conscientizem que o látex adoece as pessoas e para que futuramente possamos aboli-lo dos hospitais, consultórios dentários, manipulação de alimentos, festinhas infantis (balões) etc.

Tenho que ter muito cuidado com minha filha, porque além do látex ela já tem reação cruzada com banana, manga, coco e maracujá, sendo que com o maracujá ela já teve uma reação alérgica gravíssima, tendo inclusive que utilizar adrenalina.

Na escola em que ela estuda, todos estão cientes de sua alergia. Deixo com a coordenação e com a professora um laudo médico atestando sua alergia e a necessidade de ser medicada em caso de reação, inclusive deixo os medicamentos necessários na escola.

Minha filha faz basquete, mas as bolas são de látex, então tive que comprar uma bola de couro para que ela pudesse praticar com segurança o esporte que tanto ama. Os cuidados são diários, porque o látex está presente em mais de 40 mil produtos, então tenho que estar em alerta constante, verificando sempre se as roupas têm elásticos, o material escolar, os brinquedos, os locais onde vamos comer. Tenho que verificar o tipo de luva que é utilizado no restaurante, porque muitos estão usando as luvas de látex na preparação de alimentos, o que é extremamente perigoso, porque o látex entra no alimento podendo matar uma pessoa,dependendo do grau de sensibilização dela. Tenho que verificar se os supermercados, hortifrutis e açougues estão utilizando as luvas, enfim é uma loucura total!

O meu grande medo é quando tenho que levá-la ao hospital, porque infelizmente é o local menos seguro para ela. O látex está no ar. A cada retirada de luva de látex, suas partículas ficam suspensas por até 3 dias no ar e, embora ela não esteja sensibilizada ao ponto de reagir ao látex no ar, a cada exposição a sensibilização vai aumentando.

Aqui em Macaé os hospitais não possuem salas látex-free, e os profissionais em geral desconhecem a existência dessa alergia. Quando eu comunico, não dão muita importância e sequer existem luvas de vinil ou nitrílica para que ela possa ser atendida com segurança. Então tenho  sempre que levar luvas e garrotes apropriados para que ela possa ser atendida  com um mínimo de segurança. Mas o desconhecimento é tanto que muitas vezes quando impeço de tocarem nela com luvas de látex o profissional tira na hora na frente da minha filha as luvas de látex e isso já provoca alergia nela.

Uma vez ela foi internada na Unimed, e embora eu tenha direito a um quarto individual, ela teve que dividir com outro paciente e foi muito difícil, porque as pessoas já entravam com as luvas no quarto, até que consegui um quarto para ela e fixei um cartaz na porta informando sua alergia, mas mesmo assim as faxineiras entravam no quarto com luvas de látex. A pessoa que entregava comida também, enfim.. enquanto a existência e gravidade dessa alergia não chegarem a conhecimento público, muitas pessoas continuarão adoecendo com o látex e quem já adquiriu vai piorar.

É uma alergia muito difícil de conviver, porque é desconhecida por quem deveria conhecer que são os médicos. Fico apavorada quando viajo com medo de algum acidente na estrada por causa do socorro, tenho pavor de estar inconsciente e de alguém tocar na minha filha com luvas e equipamentos de látex, então em todas as viagens ela utiliza um broche identificando sua alergia ao látex, e no meu carro sempre tem luvas, garrote e laudo médico identificando sua alergia, e um procedimento do hospital Albert Eisnten informando como proceder com um paciente em centro cirúrgico alérgico ao látex. Mas mesmo assim me sinto muito angustiada, por saber que, se ela precisar de uma cirurgia de emergência, para ela pode ser fatal, por não haver sala látex-free em nenhum hospital  de Macaé e pouquíssimas salas látex-free no Brasil.

Na minha bolsa sempre tenho adrenalina, corticoide e anti-histamínico.

Em consultórios dentários também é muito complicado, porque além das luvas tem outros materiais de borracha, e também não encontrei em Macaé nenhum dentista preparado para atender um paciente alérgico ao látex. Quando a levo ao dentista, peço para que ela seja atendida na segunda-feira no primeiro horário, para que a sala não esteja contaminada com látex. E levo suas luvas de vinil também.

É uma luta grande, principalmente pelo desconhecimento!

O látex adoece as pessoas. Segundo os dados da associação da Califórnia, é o segundo responsável pelos casos de anafilaxias em centros cirúrgicos. O diagnóstico muitas vezes é difícil pelo desconhecimento dos profissionais. Mas não é uma alergia tão rara como muitos pensam e está aumentando a cada dia. No nosso grupo do Facebook, diariamente aparecem pessoas com essa alergia e estamos nos ajudando mutuamente, porque infelizmente nem os médicos e nutricionistas estão muito preparados para ajudar os pacientes que possuem essa alergia.

Neste ano nossa associação sairá e assim poderemos divulgar melhor.